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terça-feira, 17 de abril de 2018

A vida é para...

Ela saiu de seu trabalho após um dia bastante cheio e cansativo. Seus chefes haviam pedido para fazer um prato diferente e ela teve que correr até o supermercado para fazer as compras além de cuidar das crianças. Maria pegou o ônibus no horário do rush e apesar de estar exausta, nem se importou com a falta de espaço e o empurra-empurra. Sua cabeça estava longe... 
Há algumas noites não dormia direito porque pensava na vida. Pensava na sua adolescência humilde no interior do estado. Lembrava de seus irmãos e de seu pai que deixara para tentar a vida na capital. 
"Por que tanta diferença? Por que uns tem tanto e outros tão pouco?" - pensava. "Podia ter nascido em uma família rica e estruturada... Mas não foi assim...".
Em meio a lamento e um pouco de indignação, teve sobriedade quando reconheceu seu esforço até ali e talvez mudar a realidade da humanidade estava longe de seu alcance. 
Mas naquele dia, dentro do ônibus lotado, Maria começou a pensar: "Então para quê é a vida?".  
Em seguida começou a se lembrar de pessoas que fizeram parte de seus primeiros meses na nova casa: do seu Juca, dono da padaria, da simpática dona Matilde que alugava a kitnet ao fundo de sua casa e da Jaqueline, que trabalhava no mesmo prédio que ela. Deu então um suspiro profundo... "Ah! Como essas pessoas foram importantes!" 
Vieram à sua mente as boas memórias quando foi surpreendida pelo seus chefes com uma cesta de Natal, das vezes que seu pai conseguiu visitá-la e do susto que ele levou na primeira vez viu uma porta automática no shopping, do belo por do sol que conseguia ver de seu quarto. Quantas simples coisas boas em meio ao suor de cada dia!
Enquanto as lágrimas escorriam do seu rosto, ela sabia, não podia simplesmente desistir, sabia que a vida era preciosa demais para ser jogada fora.
"A vida é para batalhar, a vida é para viver momentos inesquecíveis, a vida é para conviver com outras pessoas, a vida é para amar, a vida é para sorrir e para chorar, cada um em seu tempo, a vida é para ser vivida... com intensidade e responsabilidade."
Naquele dia, seu corpo estava cansado, mas seu coração estava grato. Grato porque pessoas fizeram parte de sua história. Grato porque o passado lhe ensinava. Grato porque apesar das dificuldades, podia viver mais um dia. 

domingo, 14 de maio de 2017

A sensação de voltar.

Acordei cedo, peguei a estrada até chegar a cidade que nasci e cresci.
Quase 200 km percorridos.
Já eram 11 horas, mas resolvi sair, comecei a andar no centro mesmo com o termômetro marcando mais de 30°.
Faziam anos que não passava por ali e minhas lembranças estavam adormecidas.
Logo começaram: "Quantas vezes subi essa rua com meu amigo?!".
"Ah, eu sempre parava aqui para tomar suco de morango com leite e comer um salgado!".
E ao mesmo tempo, muita coisa estava diferente: "Nossa, agora tem uma farmácia onde era o banco!".
"Onde era aquela loja de roupas? Fechou?".
Em minha cabeça a imagem estava construída e continuaria assim até eu voltar.
Me senti parado no tempo e enquanto andava o passado e o presente se chocavam até formar uma nova imagem.
Essa foi a sensação de voltar!
Uma mistura de lembranças e sentimentos, nostalgia e surpresa.
O mais engraçado é que em todos esses anos apenas um coisa não mudou: o calor daquela cidade.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O dia que (quase) deu tudo errado.

*Resolvi fazer um post em um estilo diferente hoje, inspirado em fatos (quase) reais.

Acordei e estava nublado, talvez fosse uma previsão de que aquele não seria um bom dia, mesmo assim insisti, levantei, tomei café, me arrumei e saí para o trabalho. Trânsito complicado, a chuva começou e todo mundo resolveu sair de carro.
- Pelo amor de Deus, parem com as buzinas! Não adianta, estamos todos atrasados, eu sei!

Chegando na empresa, o sistema estava fora do ar e a demanda começou a aumentar, o pequeno alívio estava no café da dona Jacira. Ninguém faz um café igual a ela, nem mesmo minha avó! E olha que avó é avó né?! A experiência de anos de cozinha!
Vamos voltar ao trabalho! Não acredito! Agora foi a impressora deu pau! Era só o que me faltava! O chefe pediu um monte de documentos impressos. Porcaria! Vou ter que ir no TI pedir ajuda.
Ainda bem que o Marcos estava lá. Ele é meio mala, mas é muito inteligente e resolveu o problema em 5 minutos. Me senti um analfabeto digital, mas ok.

O sinal tocou e o almoço estava bom como de costume, era o mínimo depois dessa manhã turbulenta.
Arroz e feijão bem temperados, um frango grelhado, creme de milho e salada. Tem como reclamar?

A tarde as coisas se acalmaram, acho que o almoço foi o divisor das águas, a irritação com as tecnologias foi embora com a fome. Só o Antônio que não parava de me apressar para entregar os relatórios, mas tudo bem, tudo entregue e fim de papo!

A chuva caía no fim da tarde, fina e constante. Acho que na chuva as pessoas desaprendem a dirigir. Já dizia meu instrutor da auto-escola: "dirigir para você é facil, difícil é dirigir para os outros". Direção defensiva, direção defensiva, calma que logo chega, pensei.

Nada como chegar em casa! Um banho morno para relaxar.
Liguei para pedir um lanche por causa da preguiça de cozinhar, enquanto isso fiquei vendo TV. Demorou mais de uma hora e chegou menos morno que meu banho. Paciência, dia de chuva é assim mesmo. Talvez fosse melhor ter ficado o dia inteiro na cama...

Mas espera, chegou uma mensagem no celular!

Era ela!

O dia não poderia ter dado tão certo!

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"Você me ligou naquela tarde vazia, que me valeu o dia!" - Tarde vazia - IRA!