terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Comunicação.

Estava reparando que uma das coisas que mais me deixa angustiado é quando tenho dificuldades em comunicar-me com alguém. É uma sensação de frustração bem grande. Já havia passado por isso algumas vezes no Japão 10 anos atrás, mas agora que parei para pensar nisso. (Aliás, não sei se já falei, mas aqui está sendo um bom tempo de reflexão).

Em todos os lugares que passei sempre ouvi e também falei algo do tipo “precisamos melhorar nossa comunicação” ou “vamos sempre deixar tudo claro”. Eu não sei o motivo, mas parece que às vezes simplesmente achamos que as pessoas conseguem entender o que queremos dizer com uma palavra só. Óbvio que nem sempre acontece. Se no Japão a dificuldade era de ser entendido, falava inglês mas não adiantava muito, aqui é diferente. O que angustia é que do nada ouço palavras soltas e a pessoa espera que eu entenda. Começo então um jogo de adivinhação, o que sinceramente me tira a paciência.

Claro, sei que existe a dificuldade com o idioma, que o jeito de pensar varia de cultura para cultura. Mas quando percebo que a pessoa não entendeu, tento explicar de outras formas, até mesmo desenhando e não esperando que a pessoa adivinhe o que quero dizer.

Enfim, passar por esse tipo de situação é bom porque dessa forma tento ficar mais atento na hora de me comunicar, a primícia é “nem sempre o que está claro para mim, está claro para o outro”. E assim vamos seguindo nessa vida com milhões de cabeças diferentes, tentando se comunicar de alguma forma, inclusive na base da adivinhação.

domingo, 1 de outubro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Inspiração.

Esse tempo que tenho vivido aqui na Holanda está sendo bastante especial e significativo. Como falei no post anterior um tempo de crescimento como pessoa e também de reflexão sobre a vida, sobre o futuro. Especialmente esse final de semana foi bastante interessante.
Eu e mais um amigo do Egito fomos visitar uma igreja protestante na comunidade de Son en Breugel. Na verdade são dois vilarejos diferentes, Son e Breugel, mas como são bem pequenos, eles juntaram e por isso é a igreja de Son "en" (e) Breugel. Acho que deu para entender né?!

Durante essa visita, antes de voltarmos para Amsterdam, passamos na cidade Eindhoven e fomos em um lugar chamado Hemelrijken que significa "Reino do Céu". Lá as pessoas que são moradoras de rua, pessoas com baixa renda, pessoas sozinhas podem ir, tomar um café, comer um pão, tomar sopa, descansar um pouco, encontrar alguém para conversar. Nós ficamos hospedados na casa da Thea, antiga coordenadora desse trabalho, ela ficou a frente durante 12 anos e contou um pouco da história.

Em 1996, o bairro era marginalizado, lugar de prostituição, viciados em drogas e então eles começaram esse projeto lá e com o tempo foram chamando a atenção da prefeitura para fazer melhorias na região. Hoje parece ser um lugar bastante diferente, várias residências, famílias. No começo poucas pessoas íam lá na semana, mas atualmente, em dias de frio mais intenso, são cerca de 80 pessoas que passam diariamente.

Tive a oportunidade de conversar com a atual coordenadora da casa. Ela disse algo que me impactou bastante, que ali eles tentam dar um pouco de dignidade para as pessoas, tentam mostrar que elas possuem valor, que não são o lixo da sociedade. E essa é a filosofia desde o começo, proporcionar para a pessoa que entra ali a "sensação de estar no Céu", mesmo que seja durante uma hora, durante um dia. Quem trabalha lá são voluntários e não estão para julgar o que a pessoa fez ou deixou de fazer, estão simplesmente para ouvir, conhecer, conversar. Nós temos um senso de julgamento muito afiado, ficamos dando palpites, se é bom ou se é ruim. Conhecer aquele lugar, me fez refletir, me fez ser um pouco mais humano e um pouco menos juiz.

Pessoas como a Thea e a atual coordenadora (que não entendi o nome), foram inspiradoras para mim. E como é importante ter pessoas que inspiram. Isso não é um papo de Bel Pesce, mas de fato, ter pessoas que de alguma forma te inspiram e ajudam a ir além é muito encorajador. Quem te traz inspiração?

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - O lado difícil do intercâmbio

Depois das primeiras semanas a gente percebe que o intercâmbio também tem seu lado difícil. Claro, nem tudo são flores. E às vezes a gente até sabe disso, mas na prática é diferente.
Isso varia bastante de pessoa para pessoa, algumas sentem o golpe mais cedo, outras mais tarde, só que inevitavelmente o golpe vem.


Calma, não estou em desespero, depressão ou qualquer coisa do tipo. Estou muito bem, obrigado.


Só que é óbvio que a gente sente em alguns momentos saudade de casa, saudade da família, dos amigos, da comida, isso é totalmente normal e talvez uma das coisas mais difíceis (ainda mais quando você vê fotos de comida japonesa ou de um cachorro-quente do Arnaldo passando na timeline).


Uma coisa que estive pensando nesses dias é que nós somos bombardeados com informações novas, um idioma novo, uma cultura nova, um estilo de ensino diferente, fora os conceitos que ainda não estudei e às vezes me deixam um pouco no ar nas aulas. Mas é justamente esse bombardeio que faz com que o crescimento aconteça. Até um mês atrás estava no conforto da minha casa apenas sonhando como seria, agora estou vivendo e viver, nesse caso, significa arriscar, se expor, sair do que é cômodo e familiar. 



E acredito que quem vive uma experiência dessas pode passar por momentos meio complicados, de aperto, mas o crescimento como pessoa é enorme. Então é claro que o intercâmbio tem seu lado difícil, assim como outras mudanças que acontecem, mas não tenho dúvidas que são momentos passageiros com experiências que serão levadas pelo resto da vida

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - 5 Curiosidades rápidas.

Sempre acho legal saber um pouco sobre curiosidades de outro país, então vou postar a medida que for descobrindo coisas. Hoje, 5 curiosidades sobre a Holanda!

- Os holandeses são altos. No Brasil eu já tenho a sensação de não ser alto, mas aqui é diferente, me sinto muito baixo. Outro dia na universidade eu sentei em um sofá e meus pés não encostaram no chão, faltava acho que quase uns 10 cm. Fora que quando entro no trem parece que vou ser esmagado.

- Na Holanda eles não almoçam de verdade. A pausa do almoço é apenas para comer um pão, uma salada ou algo do tipo e logo eles já voltam para o trabalho.

- Os holandeses saem mais cedo do trabalho. Um holandês me disse que eles trabalham das 8 hàs 17h, mas isso justamente porque não almoçam.

- Venta muito aqui. Quando eu falo de ventar muito, não é um ventinho qualquer, mas aqueles de quebrar facilmente guarda-chuva e quase te derrubar. Não sei como as pessoas andam de bicicleta com esse vento.

- Poucos lugares aceitam cartão pré-pago de viagem. Quando fui para os EUA em 2013, pagava praticamente tudo com o cartão pré-pago e quando chegamos aqui recebemos um. Imaginei que todos os lugares aceitavam, mas quando fui fazer a primeira compra fui barrado. Ainda bem que tinha dinheiro, senão teria que ir no caixa eletrônico para sacar. Apenas as lojas maiores e internacionais aceitam, mesmo nos supermercados ou é cartão de débito ligado à conta corrente aqui ou é no dinheiro.

Os dias estão um pouco corridos, mas tentarei não deixar de postar, já foram quase 3 semanas aqui! O tempo está voando!

domingo, 10 de setembro de 2017

Sonhando acordardo: Amsterdam - Adaptação e experiências.

Depois de uma semana em Amsterdam, aos poucos a adaptação está acontecendo. Mas vou escrever sobre algumas coisas que me chamaram a atenção nesses dias.

Em alguns aspectos aqui me lembra um pouco São Paulo. Às vezes o dia começa com o tempo aberto, sol, mas logo o céu fecha e chove, depois para, abre, fecha e chove de novo, então um item indispensável na mochila é o guarda-chuva. Também porque aqui a gente vê pessoas com diversos traços étnicos no metrô, cada um falando uma língua.

Para nós brasileiros, alguns sons da língua holandesa não são muito fáceis, mas apesar disso, minha supervisora disse que no holandês, assim como no português, você lê todas as letras. A questão é saber pronunciar. E o jeito holandês é bastante curioso, eles são bem diretos, fazem críticas, dão broncas, mas as discussões não são levadas para o pessoal. Isso acho que é algo que nós latinos podemos aprender, porque assim, com certeza teríamos muito menos problemas de relacionamento.

No quesito segurança, sei que existem críticas sobre a cidade ter o consumo de drogas liberado, a prostituição legalizada por causar marginalidade, perigo, mas apesar disso, percebi que a cidade é bastante segura. A gente vê crianças pequenas indo no mercado comprar coisas, hoje mesmo vi um menino que aparentava ter uns 10 anos andando de metrô tranquilamente com seu Iphone. Ou seja, em um olhar simples, as drogas e a prostituição aqui não parecem estar relacionadas com a criminalidade. (Que fique claro, não estou defendendo isso no Brasil, é apenas algo que achei curioso).

Experiências

- Ontem pela primeira vez joguei bola aqui. Foi bastante engraçado porque tinha no mesmo jogo italianos, americanos, holandeses e eu. Jogamos em um campo bem zoado porque tinha partes com bastante lama. E ainda mais porque tinha uns caras jogando com calça jeans, tênis de corrida. Foi um show de horrores, mas pelo menos deu pra divertir um pouco. (Ainda preciso dar um jeito de limpar minha chuteira).

- Hoje fui lavar roupa e quase tive problemas. Na hora de ajustar a temperatura e o tempo, existem 3 modos. O Koud que é por volta dos 40 graus e 40 minutos, o Warm que é 60 graus e 40 minutos e o Heet que é 95 graus e 50 minutos. Quando perguntei para o cara da recepção ele disse para usar o Koud para roupas casuais e o Warm para toalhas, meias, isso era o suficinte, porque se fosse mais quente poderia encolher as roupas. Adivinhem qual que acabei colocando? Exato! No Heet! Entrei em desespero porque não conseguia parar a máquina, apertei todos os botões, tentei abrir a tampa. Fui na recepção para pedir ajuda e nem a mulher conseguiu desligar. Tive que ficar esperando e torcendo para a roupa não encolher. Ainda bem que não tive problemas, mas estava seriamente preocupado em ter que comprar outras roupas, porque aqui não é muito barato. O que me consolava é que caso tivesse que descartar, ainda dava para sobreviver com as que não estavam lá dentro. No fim deu tudo certo e aprendi que é melhor primeiro selecionar a temperatura com calma para depois apertar Start.

- E também hoje foi dia de tentar cozinhar. Acho que essa eu nem preciso falar que foi um desastre né?! Eu não sabia mexer no fogão, comprei tomate inteiro achando que era molho, coloquei macarrão demais, e óbvio, ficou horrível.

Apesar de tudo, sei que normalmente o começo é assim mesmo, a gente apanha bastante, mas espero não precisar de muito tempo para parar de apanhar um pouco.

domingo, 3 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - A viagem e as impressões do primeiro dia.

Esse post não terá um texto sobre o que eu achei, como deu tempo resolvi fazer um vídeo rápido sobre a viagem e as primeiras impressões, confere aí! (Obs: não repara que a edição é bem simples e desculpa o meu cabelo rs).

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - The time has come!

Enfim chegou o dia! Um tempo para ficar na memória!

Logo estarei conhecendo outras culturas, outra rotina, outro idioma e é claro que são muitas as expectativas e incertezas: será que vou conseguir me adaptar rápido? E as pessoas como serão? Meu inglês é suficiente? Meu projeto está bom? Estou levando os materiais certos?

Mas agora não tem mais volta, o desafio já foi aceito e está na hora de encará-lo. 

Foto: Eurovoix

O frio na barriga aumenta e sei que a responsabilidade é grande. Quero poder corresponder da melhor forma possível. Não, não é discurso pronto de jogador de futebol, é aquilo que tenho pensado durante esses últimos meses desde que fiquei sabendo que havia sido escolhido.

Levo em minha bagagem a torcida da minha família e amigos e agora é "Daag! Tot ziens, Brazilië!" ("Até logo Brasil!")