Mostrando postagens com marcador ser humano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ser humano. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Sentir-se totalmente preparado

(Milagrosamente, estou postando pela segunda vez em um intervalo bem curto. Acho que há muito isso não acontecia. Preciso aproveitar o frescor da ideia e já que estou no computador, escrever.)

Outro dia estava conversando com um amigo meu que será pai e perguntei: "E aí, está preparado?". Ele me deu a seguinte resposta: "Ah, a gente nunca está né...". E complementou que também foi assim quando ele casou, quando mudou de cidade, mas que deu tudo certo. 

Agora pela manhã estava pensando em quantas vezes me senti preparado para enfrentar algo novo e estava totalmente confiante que conseguiria fazer aquilo tranquilamente. Me arrisco dizer que foram pouquíssimas vezes. Pode ser uma questão de auto-estima? Talvez. Mas o que me lembro é que as vezes em que me senti totalmente preparado e totalmente confiante, fracassei. 

Vejo isso acontecer bastante no esporte também. O favorito entra se achando campeão e acaba caindo. Não é uma regra, mas parece que quando o atleta sabe que se preparou e está com os "pés no chão", ciente de que pode não vencer, a chance de sucesso parece maior. Isso pode também ter relação com o atleta dar tudo de si na competição, como se ela fosse a última.
A sensação de não estar totalmente preparado é boa, apesar de não parecer. Evita a soberba, a prepotência e uma frustração ainda maior em caso de fracasso. Além de incentivar a fazer o melhor, o máximo possível.   

Estive pensando sobre esse tema por lembrar que nos últimos anos tenho me deparado com algumas situações nas quais não me sentia totalmente preparado. Término do mestrado, ida para a Holanda, cargos na igreja, situações que tive que falar em público para um número considerável de pessoas. 

E já sei que virão outras em 2019.

Mas a conclusão que cheguei é: tudo bem não sentir-se totalmente preparado. Como acabei de falar, isso pode ter seu lado bom. O importante é seguir em frente, preparado ou não, confiante com os "pés no chão". O jeito melhor de caminhar, a gente aprende no caminho, por mais cliché que isso possa parecer. 

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Dignidade...

Semana passada (19/07/18) tive a oportunidade de participar da recepção da princesa japonesa Mako de Akishino em Londrina. Foi um evento restrito e feito sem muito alarde. De acordo com o protocolo, ela deveria passar no meio da rua. Nós estávamos na calçada. Caso viesse em nossa direção, não podíamos estender a mão para cumprimentá-la, ela que deveria tomar a iniciativa. 

Para a minha surpresa, e talvez para a surpresa de todos os presentes, ela passou muito próximo do público e começou a cumprimentar as pessoas até um de seus assessores ou seguranças, informar que ela deveria ir mais rápido. Ela passou em nossa frente muito educadamente olhando para nós pedindo desculpas e mais para a frente continuou cumprimentando as pessoas.

Aquilo me chamou bastante a atenção. Afinal, minha concepção de família imperial japonesa é de que ninguém poderia chegar perto e talvez nem olhar nos olhos. 
Porém, a atitude da princesa foi surpreendente. A forma humilde como ela tratou as pessoas juntamente com outras coisas que li e vi me fez refletir sobre a dignidade que todo ser humano merece ter.

Me lembrei de quando visitei um trabalho de ação social na Holanda e uma das fundadoras disse que o objetivo do lugar era dar um pouco de dignidade para as pessoas. Ali eles recebem todos os tipos de pessoas, inclusive aquelas que a sociedade exclui. 
Também me lembrei de um livro que estou lendo chamado "A coragem de ser imperfeito" da Brené Brown. No livro tem a seguinte afirmação: "Não importa o que eu fizer hoje ou o que eu deixar de fazer, eu tenho meu valor". Ela enfatiza a auto-aceitação que não é medida pelo desempenho, mas pelo simples ser. A ideia de ser aceito e amado por ser quem somos.
Por fim, vi recentemente uma reportagem de uma líder de uma banda cristã bem influente nos EUA chamada Kim Walker, dizendo que os jovens estão cansados da falta de transparência dos líderes religiosos.   

O que tudo isso tem a ver? 

Por um lado vemos "digital influencers" falando de uma "vida perfeita" nas redes sociais. Mostrando lugares paradisíacos, com luxo, conforto, ostentação como se fosse algo normal e acessível para todos. O resultado é uma sociedade que tem ficado doente por ansiedade, depressão, exaustão.

Por outro lado, parece haver um movimento, que traz a humanização e a dignidade que todos merecem ter. Uma princesa que se preocupa em passar perto e cumprimentar as pessoas, um lugar que não faz pré julgamentos pela roupa ou pelo status social da pessoa, uma mulher que admite sua vulnerabilidade e expõe a importância de sermos amados por quem somos, uma líder de uma banda influente que afirma que não é possível viver de aparências. 

A conclusão pelo menos momentânea que chego é: ninguém tem uma vida perfeita, não devemos exigir isso dos outros e nem tentar fingir que temos. Por isso é preciso tratar as pessoas com dignidade, dizer um "obrigado" olhando nos olhos. Entendo que às vezes não é fácil, estamos atarefados, com pressa, pressionados, mas a vida é a coisa mais valorosa que existe. Precisamos de humildade, precisamos de compaixão, precisamos de amor.  Todos merecem pelo menos um pouco de dignidade e respeito, afinal, todos somos da mesma "raça", somos humanos.

sábado, 10 de março de 2018

Armadilhas: por um uso mais consciente das redes sociais

Você já assistiu aqueles filmes em que a personagem principal está caçando algum adversário (seja um animal, um et ou uma outra pessoa) e precisa fazer uma armadilha para ter sucesso?
Eu lembro um pouco de Predador, quando o Arnold Schwarzenegger faz uma armadilha com troncos de árvores, galhos e cipós para tentar emboscar o Predador.  
O segredo por trás da armadilha está em enganar e surpreender o adversário. Praticamente todos os dias vejo armadilhas. Não são iguais a do filme, mas que se apresentam de diferentes formas nas redes sociais. (Aliás, estava relendo uns posts antigos e vi que já escrevi sobre as redes sociais e volto a escrever sobre isso).

Quais armadilhas? Vou falar daquelas que identifiquei e é bem provável que existam outras. (Isso não é uma crítica com o objetivo de destruir quem usa as redes sociais, tanto porque eu também uso. Antes é um convite para a reflexão da forma como nós usamos). 

- Vida perfeita
Essa talvez seja uma das mais comentadas e já vi várias críticas à ilusão que as fotos e status das redes sociais trazem. Principalmente no começo da vida, quando vemos influenciadores digitais postando sobre suas viagens, produtos ganhos, etc, podemos cair na armadilha de achar que a vida deles é perfeita. Importante ressaltar que não estou colocando a culpa nessas pessoas, às vezes é o trabalho delas assim como os atores e atrizes que precisam interpretar nos filmes. A questão é que as pessoas se iludem com uma vida perfeita. 

- Superficialidade na vida
Consequentemente com essas fotos de uma vida perfeita somos tentados a focar na aparência e na superficialidade. Talvez a gente não tenha noção de que nossas redes sociais pode chegar aos países mais distantes.
Estava assistindo outro dia uma entrevista com uma banda de três irmãs que começaram a fazer sucesso por causa de um vídeo na internet. Elas falaram bem espantadas de fãs na Suécia, no Brasil e elas são do México.
Por causa dessa distância, acabamos "conhecendo" as pessoas pelo que postam nas redes sociais, o que dificilmente traz um conhecimento real a não ser que você converse frequentemente com a pessoa. Do contrário, fica apenas a superficialidade das fotos/vídeos e ao que a pessoa aparenta ser.

- Egocentrismo
As redes sociais são algo pessoal, seu usuário terá seu nome ou nickname, então nada mais óbvio do que postar coisas sobre você, seja fotos, vídeos. Porém, há um risco que é de se tornar egocêntrico. Postar todos os dias fotos aleatórias apenas para conseguir a atenção ou o like das pessoas. Entendo que às vezes isso pode ser visto como uma forma de melhorar a auto-estima, mas se não houver correspondência, a auto-estima vai apenas piorar. Não sei se as redes sociais são os melhores lugares para tentar resolver esse tipo de problema. É mais provável que encontremos o perigo de achar que o mundo precisa nos ver e contemplar.  

- Superficialidade nas informações 
Não é muito difícil encontrar nas redes sociais as "fake news". O que acontece? Alguém, por N motivos resolve postar uma mentira na internet e as pessoas espantadas com aquela suposta notícia começam a compartilhar muitas vezes sem verificar a fonte ou a veracidade daquilo. Recentemente tivemos o caso da menina Síria, que foi divulgado que mesmo sem os pais e com o país em guerra ela era capaz de sorrir. O que foi desmentido pelo fotógrafo alguns dias depois. E em um passado nem um pouco distante aconteceu a mesma coisa com o menino negro na praia de Copacabana na virada do ano. Muito se falou sobre a foto sem ao mesmo saber qual foi a situação de fato. Vê?! Acontece frequentemente! 

O que fazer diante de tudo isso?
Acho que hoje viver sem redes sociais é quase impossível. Mas é possível sim termos um uso mais consciente das redes sociais. Isso não significa que vamos mudar a internet, mas podemos mudar nossa mentalidade e não cair nas armadilhas que a internet pode abrigar.

Podemos considerar que ninguém tem uma vida perfeita; que as redes sociais não representam necessariamente a vida real; que o mundo não gira ao nosso redor; e que nem tudo o que vemos na internet é verdade, por isso, antes de compartilhar, melhor verificar a procedência da informação. 
Simples assim! Saber disso pode nos ajudar a ter um uso mais consciente das redes sociais.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

2018: mudanças, sonhos, reflexões.

Bem-vindo 2018!

Depois de mais de um mês sem escrever e quase nem chegar perto disso, resolvi sentar e tentar. Cheguei a esboçar algumas ideias no fim do ano passado, mas talvez minha cabeça ainda estava fora do ar. (Parece exagero, afinal foram só 3 meses. Só que o problema não é o tempo e sim a intensidade. Admito que minha vontade de voltar para lá é grande mesmo com as diferentes dificuldades, mas vida que segue.)

O ano de 2018 está com desafios diferentes e sonhos que podem ou não se realizar.
O primeiro desafio será em relação aos estudos. Terminada a graduação agora é hora do passo seguinte. Vamos ver se até o final desse mês alguma definição acontece.
Nessa mesma linha estão os sonhos. Como falei acima, a vontade de voltar para a Holanda é grande e tentarei me inscrever para programas de mestrado. Preciso cumprir algumas etapas antes e esse mês de Janeiro será decisivo.

Na semana passada vi uma notícia que me deixou meio triste, desapontado, não sei qual é o adjetivo certo para usar. Um homem entrou em uma das principais igrejas católicas da cidade e quebrou parte da imagem mais importante da igreja. Ele foi preso e a polícia identificou que ele já havia feito a mesma coisa em outra cidade da região e estavam tentando constatar se ele tinha algum tipo de distúrbio ou algo do tipo.
Claro que essa notícia deu o que falar. Na verdade, parece que hoje em dia qualquer notícia faz isso, até mesmo as mais fúteis. É só ver a coluna de celebridades nos sites de notícias.

Enfim, segundo o site, o homem dizia que estava fazendo aquilo porque estava escrito na Bíblia.
Aí claro que como teólogo, precisava refletir um pouco sobre isso.
No Brasil vemos muitas vezes religiões degladiando entre si tendo a mesma origem. Sim, estou falando dos católicos e evangélicos.
Talvez eu esteja enganado, mas atualmente parece haver mais agressividade por parte de alguns evangélicos. E credito essa agressividade a uma série de fatores.

Primeiro, a educação que temos. Educação? Sim, em muitas escolas não se ensina a olhar de forma crítica para as coisas. Lemos e seguimos as regras, sem reflexão e ai daquele que questionar. Nossa incapacidade de interpretar resulta em ignorância e fanatismo.

Segundo, nossa ganância de querer sempre estar certo. Nosso orgulho e egocentrismo faz com que a gente ache que fora da nossa verdade não há outra forma de ver o mundo. O incrível é pensar na diversidade cultural e étnica do Brasil e mesmo assim, os pensamentos que cultivamos continuam sendo de superioridade cultural/étnica e consequentemente religiosa.

Terceiro, intolerância estimulada pela era digital. Li um texto do Jonathan Menezes falando sobre o diálogo na internet e de fato, é fácil sair jogando críticas pesadas de forma irresponsável quando é possível se esconder atrás de um nickname. É só dar uma olhada em comentários no YouTube. O mais assustador é ver que por vezes são crianças de 9, 10 anos comentando de forma agressiva.

Acredito que tudo isso junto com o a ideia de consumismo, na qual, o mundo é feito para me servir, gera esse tipo de pensamento e comportamento de destruição, desrespeito e intolerância. E apesar de parecer ter um tom pessimista e crítico, meu texto tem o objetivo de ser mais reflexivo.

Proponho a seguir algumas coisas para pensarmos em 2018.
Se aqueles que se dizem cristãos querem realmente seguir a Jesus, o Cristo, então comecem estudando mais sobre sua vida e ensinamentos. Procurem se há na Bíblia algum momento que Jesus entra em algum templo de outra religião para destruir o que era sagrado para os outros. Aliás, o único momento que me recordo de ver Jesus agindo de forma mais agressiva é quando derruba as mesas dos comerciantes que estavam no próprio templo judeu. Motivo? Os comerciantes aproveitavam as visitas para explorarem os viajantes com altas taxas de câmbio e preço dos animais para serem oferecidos em sacrifício.
E me parece que Jesus conhecia bem o egocentrismo humano. Tanto que diz o seguinte: "façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam" (Mateus 7:12, Nova Versão Internacional).
Ou seja, antes de agir com intolerância e desrespeito, que a gente se coloque no lugar do outro, como se aquilo que fazemos estivesse sendo feito a nós. E sejamos francos, quando é com os outros queremos juízo, condenação, quando somos nós queremos misericórdia e perdão.

Talvez essas coisas que disse acima já disse em algum momento nesse blog, mas fica a reflexão para 2018. Que seja um ano de mudanças, sonhos e também pés no chão.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - O lado difícil do intercâmbio

Depois das primeiras semanas a gente percebe que o intercâmbio também tem seu lado difícil. Claro, nem tudo são flores. E às vezes a gente até sabe disso, mas na prática é diferente.
Isso varia bastante de pessoa para pessoa, algumas sentem o golpe mais cedo, outras mais tarde, só que inevitavelmente o golpe vem.


Calma, não estou em desespero, depressão ou qualquer coisa do tipo. Estou muito bem, obrigado.


Só que é óbvio que a gente sente em alguns momentos saudade de casa, saudade da família, dos amigos, da comida, isso é totalmente normal e talvez uma das coisas mais difíceis (ainda mais quando você vê fotos de comida japonesa ou de um cachorro-quente do Arnaldo passando na timeline).


Uma coisa que estive pensando nesses dias é que nós somos bombardeados com informações novas, um idioma novo, uma cultura nova, um estilo de ensino diferente, fora os conceitos que ainda não estudei e às vezes me deixam um pouco no ar nas aulas. Mas é justamente esse bombardeio que faz com que o crescimento aconteça. Até um mês atrás estava no conforto da minha casa apenas sonhando como seria, agora estou vivendo e viver, nesse caso, significa arriscar, se expor, sair do que é cômodo e familiar. 



E acredito que quem vive uma experiência dessas pode passar por momentos meio complicados, de aperto, mas o crescimento como pessoa é enorme. Então é claro que o intercâmbio tem seu lado difícil, assim como outras mudanças que acontecem, mas não tenho dúvidas que são momentos passageiros com experiências que serão levadas pelo resto da vida

domingo, 2 de julho de 2017

Sobre a depressão :(

ATENÇÃO: Essa postagem não tem a intenção de exercer juízo sobre a situação, mas refletir sobre.

De uns anos para cá, se tornou mais comum conversar com pessoas que estão com indícios de depressão ou que passaram por depressão. Dizem que o estresse e a depressão são os principais males do século XXI e isso parece, pelo menos para mim, fazer cada vez mais sentido.

No começo do ano passei por uma situação que cheguei a pensar que estava começando a entrar em depressão. Na época, estava me sentindo bastante sobrecarregado no trabalho e em um determinado dia perdi a vontade de trabalhar, me sentia totalmente desmotivado, algo que nunca tinha passado antes, meu único desejo era sair daquele lugar, voltar para casa e me fechar em meu quarto.
Pode parecer preguiça, pode parecer corpo mole e sei que infelizmente é o que falam para quem passa por depressão, mas, só quem passa sabe o que é. Para concluir o que aconteceu comigo, quando eu percebia que estava chegando perto de dar alguma crise, eu parava tudo o que estava fazendo e ficava alguns momentos parado, respirando fundo e as coisas foram melhorando depois.

Depressão não é corpo mole, nem preguiça. Não ficamos deprimidos porque queremos.

Mas por que então as pessoas entram em depressão?

Eu não sou nenhum especialista, mas conversando com pessoas que já passaram por essa situação e observando casos vemos que não há apenas uma causa para a depressão, depende muito do contexto que a pessoa está inserida, da ocasião que ela se sente mais incomodada. Porém, ouvindo em palestras/aulas e em conversas, uma das principais causas da depressão é a ansiedade.

Aí entra outra pergunta, por que ficamos ansiosos?

Assim como a depressão, a ansiedade não tem só uma causa. Percebe a complexidade do problema? A ansiedade pode ser sinal de insegurança, pode acontecer por causa de uma personalidade controladora, pode ser causada por pressão interna ou externa. Essas são as causas que sei por ouvir falar ou por passar, ainda podem existir outras mais. Mas vamos a essas que citei.

Quando temos insegurança, começamos a pensar se seremos aceitos, como seremos vistos, o que será se fizermos isso ou aquilo, o que acontecerá se escolher A ou B, etc. Assim, ficamos hipotetizando cada alternativa, o que gera ansiedade.
De forma semelhante é quando se tem uma personalidade controladora. Queremos prever tudo o que vai acontecer para saber como reagir e como se comportar.
Já no caso das pressões, existem pessoas que se cobram de forma excessiva, falei um pouco sobre isso no post sobre como é ser um descendente de japonês. Ainda a pressão pode ter uma origem externa, pode vir dos pais, amigos, professores, etc. Em ambos os casos, a pressão excessiva pode ser muito prejudicial.

O que fazer para não ter depressão?

Não acredito que existe uma fórmula mágica, a vida é mais complexa do que isso. Mas acredito que há algumas sugestões que podem ajudar.

Conheça a você mesmo e tenha orgulho de ser quem é.
Ficamos inseguros quando não temos bem definido quem somos. Por isso, procure se conhecer, saber quais são suas características, suas virtudes, suas limitações, aceite-se da forma que você é. Não fique se comparando querendo ser igual ao outro. Você é uma pessoa única e você faz diferença no mundo por ser único.


Aceite que a vida não pode ser 100% controlada.
Jamais conseguiremos controlar 100% nossa vida, outras pessoas estão envolvidas, situações que não sabemos como o outro vai reagir. Quando aceitamos que não controlamos totalmente nossa vida, deixamos ela fluir mais naturalmente e não ficamos tão obstinados em saber como será, o que acontecerá. Acredite, isso te ajudará a dormir melhor. Experiência própria.

Seja mais tolerante consigo mesmo.
Isso tem a ver com conhecer a si mesmo. Quando nos conhecemos, sabemos nossos limites e assim não ficamos nos cobrando além da conta. Assim também, não deixaremos com que as pressões externas nos tirem do sério. Outra coisa que vale a pena pensar sobre a tolerância é de que talvez por causa da velocidade da tecnologia que temos hoje, ficamos impaciente com a vida e queremos construir nossa vida de uma vez, ser extremamente bem sucedido antes dos 30 anos. A geração atual não é igual a geração anterior! Os tempos mudaram, não perca tempo se comparando com seus pais, seus avós. Como está no item anterior, não conseguimos controlar toda a vida, tenha paciência e construa a sua etapa por etapa.

Faça terapia.
A terapia ainda é estigmatizada como algo para loucos, para com pessoas com problemas psicológicos. Mas a terapia é muito útil para tratamento contra a ansiedade e depressão, porque ela trabalha esses aspectos que disse acima. Pelo menos, essa é a minha experiência com dois anos de terapia.

Tenha fé.
De maneira geral, aparentemente quem tem fé tem mais esperança e sentido de vida, existe algo para se apegar e ter forças em momentos de dificuldade. Apenas para citar, minha experiência como cristão, a fé em Jesus é um diferencial para minha vida. É um combustível para viver a vida com um sentido e em Jesus está a minha esperança. A fé trouxe uma resignificação para meu modo de viver.

Apenas reforçando, tudo o que escrevi acima é uma visão de alguém leigo no assunto, posso ter alguma experiência de vivência, mas somente um profissional da área pode ajudar de forma efetiva. Como disse no começo, minha intenção é apenas refletir sobre a depressão. Se a situação estiver agravada, não tenha vergonha, procure ajuda, a depressão é algo muito sério e precisamos tomar cuidado. 
Se você conhece alguém com depressão, respeite, ame, esteja ao lado da pessoa, não force ela a sair se ela não quiser, tenha certeza que é muito mais complicado do que parece ser. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Propriedades digitais.

Hoje de manhã vi uma notícia de que a Apple está vendendo 2tb de espaço no iCloud por cerca de U$9,99. Então comecei a pensar em todas as coisas que hoje pagamos mas que estão no universo virtual, por exemplo Netflix, Office, aplicativos Pro/Premium. É muito diferente de 20 anos atrás que nós pagávamos para ter uma fita de vídeo em mãos ou um CD.

O que mais me espanta é como as pessoas conseguem ganhar dinheiro em cima de "nada", porque os aplicativos e o espaço são todos virtuais, nada é palpável. Claro, sei que o ser humano tem essa capacidade de reinventar o modo de conseguir arrecadar, mas só agora parei para prestar atenção que eu pago por coisas que não existem no mundo real! Ao mesmo tempo que a gente pode pensar "ah, a pessoa investiu tempo para desenvolver esse aplicativo etc", é algo que a gente não vê fisicamente e não consegue tocar! (Será que era isso que os vendedores de lâmparinas pensaram quando inventaram a luz elétrica?)

Daqui a pouco estaremos vendendo vento estocado!

Ok, sei que parece um pouco exagerado, tanto porque esse blog não vai mudar a realidade e as pessoas não vão deixar de pagar a Netflix (eu também vou continuar pagando). Mas me assusta o ponto que chegamos! E talvez mais ainda em pensar que o ser humano não tem barreiras para sua ganância e obstinação de sempre querer mais, de querer ir além.
É uma questão para refletir...

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

E quando acontece com a gente?

Normalmente, estamos acostumados a acompanhar pelas redes sociais, pela TV, jornais as coisas que acontecem pelo mundo a fora, posso estar enganado mas principalmente as coisas ruins. Há um tempo atrás como já falei aqui, os acontecimentos lamentáveis em Mariana - MG e em Paris. E de longe ficamos "nossa, que triste", mas e quando acontece com a gente?

É a primeira vez que estou vivendo uma situação de estado de emergência em minha cidade e quando fiquei sabendo, logo fiquei meio preocupado. Afinal, nunca vivi isso, não sei como me comportar.

Desde o ano passado, a média do volume de chuva é maior do que em muitos anos. Nos últimos dias, ela está vindo com muita força em pouco tempo, causando vários estragos aqui e na região. Fiquei sabendo que pontes caíram, estradas cederam, árvores desabaram, bairros estão sem água desde a tarde, pessoas foram levadas pela água e a sensação de insegurança frente a natureza aumentou.

E aí com tudo isso acontecendo o que sobra em nossos corações é a descrença, a reclamação, o questionamento, "por que comigo?". Uma vez ouvi uma resposta muito interessante, "por que não com você?". Às vezes em nosso olhar pequeno e egoísta, achamos que devemos ser imunes a esse tipo de coisa, devemos ser intocáveis em relação aos acidentes, em relação às catástrofes. Desculpe dizer isso, talvez você não pense assim, mas nós somos iguais. Somos feitos das mesmas matérias e sujeitos aos mesmos acontecimentos, uma vez que todos nós somos seres humanos em um mundo que às vezes parece ser caótico.

Então o que fazer quando acontece com a gente?

Podemos escolher, podemos continuar nos fazendo de vítimas achando que tudo conspira contra nós, podemos aceitar, chorar, enxugar as lágrimas, levantar e continuar, podemos simplesmente desistir e cruzar os braços, podemos fingir que nada está acontecendo. Tudo isso são possibilidades e acredito que há muitas outras que não citei.

O que eu entendo que é o melhor caminho a ser seguido, é saber daquilo que está acontecendo, saber minhas possibidades e limitações e fazer o que posso, nem mais, nem menos. Para mim, desistir e reclamar não parece ser a melhor opção, levantar e ter esperança no amanhã sim, porque acredito que uma hora isso se resolverá.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O ser humano e a finitude.

(É engraçado como as ideias dos posts às vezes surgem das situações mais inusitadas. Esse por exemplo começou com uma descarga no vaso sanitário. Parece desnecessária essa informação, e talvez seja, mas vamos ao que interessa e veja você se foi ou não).

Com essa simples descarga comecei a pensar rapidamente quanta água é utilizada ali e lembrei que hoje temos descargas possuem duas possibilidades diferentes na quantidade de água porque há o discurso e a ideia de sustentabilidade. Mas imagino que quando inventaram a descarga, provavelmente não consideraram que a água era um recurso finito, e aí fomos usando, usando até percebermos que uma hora acaba.
Assim também com outros bens naturais, como a madeira, os animais, parece que o ser humano não pensava que uma hora acabaria, mas uma hora acaba, infelizmente acaba...

Pegando o exemplo dos animais, quantas espécies já não foram extintas por causa da caça? Quantas ainda não estão ameaçadas de extinção? (Lembro que quando eu era pequeno tinha tazos do chiclete Ping Pong com os animais com risco de extinção e esses dias atrás vi na TV falar sobre a arara-azul ou araraúna, que continua com esse risco. Anos passaram mas esses animais continuam sendo caçados para virarem troféus).

Parece-me que o ser humano muitas vezes perde seu senso de finitude.

Isso inclui a sua própria finitude. Nós temos dificuldade de lidar com ela. Muitas vezes não aceitamos ou não queremos aceitar, mas nós mesmos somos finitos. E precisamos considerar isso.
"Como assim?", "Por que pensar que um dia eu passarei?", "Que post melancólico e pessimista!".

Calma, estou falando isso porque pensar sobre poderá influenciar diretamente na forma na qual vivemos. (E esse é o ponto que considero mais importante aqui).

Quando penso que não viverei para sempre, começo a refletir melhor sobre o modo como estou vivendo.
Por saber que um dia morrerei penso que guardar rancor ou mágoas não vale a pena; me faz considerar que não devo deixar para depois me importar com o outro; que preciso cuidar do meio ambiente para as futuras gerações; que as pessoas são mais importantes que o dinheiro.
Ao meu ver, isso é viver de maneira mais intensa. Quando digo intensa, não estou dizendo inconsequente, muito pelo contrário, justamente por saber da minha finitude, entendo que preciso aproveitar de forma saudável sem querer encurtar minha vida por causa de um carpe diem.

Pensar sobre a minha finitude, me faz ter forças para levantar e viver um dia a mais valorizando a vida. A minha e a do outro. Como diz a letra da música do Legião Urbana: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Pense nisso e vamos tentar viver de uma forma que valha a pena! Cientes da finitude, mas com a esperança de viver bem!

(Agradecimento especial à Eleanor que me ajudou a pensar de forma esperançosa em face da finitude.)

sábado, 28 de novembro de 2015

A "arte" de lidar com pessoas.

Antes de começar esse post, quero deixar claro que quando falar de "ciência" estarei me referindo a algo exato, mensurável, descritível e o termo "arte" será não exato, não mensurável e nem previsível. Não sei exatamente se existem esses conceitos sobre ciência e arte, mas eles me parecem razoáveis para utilizar nesse post e explicar o raciocínio.

Esses dias atrás estava pensando, como a vida é complexa quando se trata de lidar com pessoas não é mesmo?!
Há um tempo atrás entendia isso como uma ciência, as pessoas possuem padrões e ponto, elas podem ser definidas."Se acontecer isso, a pessoa por ter essa personalidade, fará aquilo", e assim por diante.
Porém, de um tempo para cá comecei a perceber que o ser humano não é tão simples assim para ser definido em padrões de comportamento. Algumas áreas estudam padrões de comportamento humano e possuem muita propriedade para falar sobre isso. (Quero esclarecer que não estou criticando essas áreas, eu que não estava conseguindo assimilar da maneira correta).
Os estudos são para tentar sistematizar o que é comum ou pelo menos aproximado no ser humano, algo que talvez sim de forma errônea nosso pensamento moderno tenha tentado definir na ciência. No fundo acho que depende da forma que utilizamos esses conhecimentos.

Entendo que o ser humano não pode ser definido. Porque cada um de nós possui experiências diferentes, ainda que vivamos no mesmo ambiente; possui características diferentes, ainda que sejamos irmãos; pensa diferente, ainda que formados na mesma faculdade. Como disse em um post anterior, mudamos a cada dia, então chego na ideia que lidar com as pessoas, inclusives com nós mesmos é uma arte e não uma ciência.

Por que arte?

Não é possível definir em uma fórmula, é preciso sensibilidade em cada situação. Às vezes achamos que a pessoa reagirá de uma determinada forma, mas ela reage completamente diferente, e aí? Se tivermos o pensamento de ciência, ficaremos sem reação. Percebe a complexidade? Não podemos generalizar as pessoas, porque se assim fizermos, estaremos lidando com máquinas, algo sem vida.
Por esse motivo hoje tenho um pouco de aversão ao pensamento de passos para ser bem sucedido, não só no lidar com as pessoas, mas com outras coisas também, como eu disse em um dos primeiros posts.
(Aliás, esse post estou usando mais referências de post anteriores, quero lembrar esse blog é uma construção).

Por necessitar de sensibilidade em cada situação que disse que lidar com as pessoas é complexo. Não quer dizer que devemos ficar o tempo todo analisando, calculando, se preocupando, não, acredito que apenas devemos viver entendendo que lidar com as pessoas é uma arte. Cada situação é única. Só de entender isso acho que damos um grande passo. Isso demonstra respeito com o outro. Porque a ciência define e automaticamente reduz, mas a arte dá liberdade e aceita a autenticidade de cada um. É um desafio viver assim? Com certeza! Mas como dizem, viver é uma arte.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Nem mais, nem menos.

Quando vi, Novembro já estava na metade e eu ainda não havia escrito nada aqui. Mesmo anotando algumas ideias não consegui desenvolver por razões diversas.
Mas aqui estou. Após os acontecimentos que chocaram o país e o mundo fiquei refletindo um pouco sobre.
Como já deve ser de conhecimento da maioria (pelo menos imagino que seja), tivemos a quebra da barragem em Minas Gerais e os atentados em Paris.

Vi então vários posts no Facebok de todos os tipos de posicionamentos e opiniões. Os que se compadeciam da França, os que queriam a morte dos extremistas religiosos, os que reclamavam que no Brasil foi muito pior e foi bem menos divulgado, os que acusavam os poderosos por causa da queda da barragem, os que tentavam dizer que ambos fatos eram importantes e não precisava deixar de falar de um para falar do outro, etc. Caso você tenha Facebook (sim, existem pessoas que não tem), deve ter visto seu feed bem cheio desse tipo de post. (Deixo claro que aqui não sou nem contra ou a favor, apenas estou falando o que vi).

Quando me deparo com problemas grandes como estes, começo a ter uma certa crise: "E eu? Onde me encaixo nessa história? Deveria largar tudo e ir para as cidades cheias de lama? Deveria ir até a França em nome da paz? Devo compartilhar no Facebook para que o mundo saiba minha indignação?" (não, esse último pensamento eu não tive, foi só uma ironia. Ainda que eu ache que as redes sociais podem ser locais de denuncia e reflexão, me refiro de forma irônica dos que compartilham para tentar aparecer).

Depois do turbilhão de pensamentos, começo a ser mais racional e menos emotivo. Então entendo que não sou capaz de salvar o mundo, entendo que não sou capaz de cuidar de todos os desabrigados e nem consolar todas as famílias dos mortos. Mas não é porque não posso salvar a todos que também ficarei acomodado sem fazer nada. Entende o título "Nem mais, nem menos" agora?
Não vou me cobrar ou condenar por não fazer algo que não está ao meu alcance, pelo menos no momento não está, mas também não vou ficar de braços cruzados se eu posso fazer algo.
Posso procurar formas de ajudar os moradores de Mariana e região. Já vi que uma das formas é doar água potável e também posso procurar quais outras necessidades eles tem e enviar por meio de algum órgão que está ajudando diretamente.
Já em relação a França, no momento não consigo ir até lá (e mesmo se conseguisse não adiantaria muito porque não falo francês), então não posso ajudar fisicamente. Porém, por ser alguém que tem fé, o que vejo que está ao meu alcance é orar pelas famílias dos que foram mortos e por aqueles que organizam esses atentados. Isso é o que acredito que consigo fazer para ajudar no momento. Apenas uma reflexão para minha realidade.

Esses não foram nem os primeiros e infelizmente acredito que nem os últimos problemas grandes que tivemos/teremos. O que acho importante sobre tudo isso é não pensar nem mais, nem menos daquilo que posso fazer. Ser realista. Tentar ajudar ainda que pareça pouco e não fechar os olhos e cruzar os braços, porque nesses momentos acredito que para aqueles que precisam, o que consideramos pouco pode fazer muita diferença.  

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A preguiça e a impaciência.

Já é uma reflexão que faço há algum tempo, mas via de regra ela volta a minha mente (então não estranhe caso tenha alguns pensamentos de outros posts, tudo isso é uma construção). É uma relação que vejo entre a preguiça e a impaciência.
Parece que a todo tempo vejo que queremos enriquecer rápido e sem muito esforço. Para conseguir isso, jogamos na loteria, entramos em esquemas de pirâmide em vendas, nada contra quem faz isso, mas vamos parar para pensar e ser bem francos, no fundo isso é uma forma de tentar ganhar dinheiro fácil sem se esforçar.
Comecei a me perguntar se isso era um problema do brasileiro, que sempre dá um "jeitinho" em tudo e consegue o que quer. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão, apesar de que a loteria não existe somente aqui. Assim como as vendas em esquema de pirâmide, não é exclusiva do Brasil.

Então começo a me questionar também se isso está relacionado ao tempo no qual vivemos. (Aliás, esse tempo me faz pensar e questionar bastante). Como já devo ter dito em outros posts (nesse blog ou no antigo), nossa vida está muito mais prática e fácil por conta do avanço da tecnologia e aparelhos que temos ao nosso alcance.
Essa facilidade parece nos tornar pessoas mal acostumadas, que querem tudo de maneira fácil e rápida, pessoas preguiçosas e impacientes. Por ser assim buscamos meios para alcançar o que queremos que não custem muito e que são rápidos. Faz sentido?
Acho ainda que isso vai além da questão de dinheiro, a área do conhecimento também é outra. Por exemplo, quero saber sobre todos os clássicos da filosofia sem ler uma única vez. A partir de trechos pretendo compreender toda a filosofia de Kant, sem me lembrar que para ele desenvolver isso demorou bastante tempo. Assim se torna ilógica minha ideia de querer compreender em pouco tempo o que necessita de tempo.

Há maneiras de conseguir dinheiro em pouco tempo? Sim. Pessoas que desenvolvem aplicativos para smartphones, tablets e vendem por milhões de dólares são um exemplo. Mas por outro lado, deve ter um trabalho muito árduo dessas pessoas até chegar ao fim do projeto. Há maneiras de adquirir conhecimento em pouco tempo? Provavelmente, mas não me pergunte como, porque eu não sei. Mas deve haver.
O que quero dizer é que SIM há exceções, não estou duvidando que você pode ser uma delas. Mas a maioria não é. Então é preciso mais trabalho e mais paciência. Deixar para trás essa preguiça e impaciência. Lembrar que a vida tem um tempo, nosso corpo tem um tempo. Nem sempre esse tempo corre da maneira que queremos, mas assim é a vida e sinto lhe dizer que não há como fugir...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Você está me ouvindo?

Você é como eu e gosta de ser escutado? Perceber que a outra pessoa te ouviu traz sentimento de importância não é? Mas tenho percebido que muitas vezes facilmente percorremos uma via de mão única. Apenas queremos que os outros nos escutem mas não queremos escutar.
Fonte: www.kanui.com.br
Semana passada liguei em uma loja para trocar uma camisa que ganhei. Logo que fui atendido disse que queria saber se lá tinha bastante variedade porque estava pensando se trocava o presente. O homem do outro lado da linha mal me ouviu e quis explicar as outras lojas deles. Depois de um pouco de conversa ele me perguntou por qual motivo eu queria trocar. Disse que por querer ver as outras opções, se houvesse alguma que eu gostasse mais eu trocaria. E a resposta dele foi que o gostar não é motivo para troca. Na hora retruquei até de maneira meio grossa e indignada (admito): "Como não? Foi presente!" (E mesmo se não fosse presente, no pouco que conheço do código do consumidor, eu teria esse direito de troca. Mas ok, isso não vem ao caso agora). Então ele disse que poderia trocar. Atento ao detalhe que logo no começo da conversa disse que era uma camisa ganhada.
Vou parar por aqui porque foi só uma ilustração do que vejo que acontece muitas vezes com todo mundo e talvez somente quando passamos pelo momento de não sermos ouvidos é que damos importância para isso. Volto ao início, queremos falar, queremos ser ouvidos, mas não estamos dispostos a prestar atenção no outro. Quantas vezes vejo que poderia ter dado uma resposta mais adequada se tivesse ouvido com atenção (isso em diversas situações e ocasiões).
Então chego a outro ponto apenas para pensar, isso seria egoísmo ou pressa? Porque uma coisa é querer somente falar sem querer ouvir e outra é querer responder sem ouvir direito. São duas situações diferentes mas que tem o mesmo resultado, o desconforto para quem está no suposto diálogo.
É claro, nem sempre percebemos que falamos muito e ouvimos pouco, porém acredito que de tempos em tempos (talvez esse tempo deva ser bem curto)  precisamos fazer esse exercício para que de fato exista um diálogo e não um monólogo.
Fica então a importância de olharmos para nossas atitudes sempre que passarmos por situações desse tipo. Porque é fácil julgar, mas só quando o "réu" é o outro. Se queremos ser ouvidos é bom também sabermos ouvir. Aliás, aqui no término desse post, espero que ainda você esteja me "ouvindo".

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Mudando dia após dia.

Estive meio ausente nessas duas últimas semanas e por alguns instantes achei que não escreveria mais. Achei que aconteceria igual ao meu antigo blog, uma hora as postagens simplesmente cessariam. Comecei a me questionar, "será que parei de pensar na vida?", "será que estou voltando a ser quem era?", "será que pensar mais profundamente realmente faz parte de mim ou era somente um momento da vida?".
Então hoje percebi que não sou mais quem fui. Muita coisa mudou e não escrever por um período não significa que voltei atrás em quem sou. Mas de qual mudança estou falando? Quase que óbvio que não é da mudança física, de aparência, mas sim da parte invisível, que envolve quem sou, o que aprendo e aprendi. Porém "curiosamente" para falar um pouco disso, lembrei de algo que envolve a mudança nos aspecto físico. Uma vez ouvi um professor dizer que a tese da homeostase (a constância estudada na biologia e falada quando estudamos o corpo humano) não existe. Porque a todo o tempo o corpo sofre alguma alteração, em cada batimento, em cada respiração, o corpo já está deixando a homeostase.
Acredito que assim também somos nós (já me disseram que alguns filósofos já falaram sobre isso. Não os estudei ainda e mesmo assim falarei o que penso, porque aqui o espaço não tem objetivo acadêmico, apenas divulgar pensamentos). Cada momento em que temos contato com o mundo, com as pessoas, deixamos a homeostase. Porque recebemos influência deles, seja nos pensamentos, seja nas atitudes. Aqui não entro no mérito se mudamos para "melhor" ou "pior". Apenas mudamos.
Ainda que há quem pense que continua a mesma pessoa de 10 anos atrás, sinceramente acho que não (não significa que eu esteja certo). Princípios, valores, ideias podem não ter mudado, mas a partir do momento em que você vê, aprende algo novo, você já mudou.
Percebe? É automático!
Mudar faz parte do ser humano. Mudamos a cada dia e acho que devemos nos permitir mudar. Como assim "permitir" mudar se isso é automático? Sim é automático, mas acho pode acontecer de forma mais ou menos fluída. Então simplesmente viver sem se preocupar excessivamente se você é isso ou aquilo ou querer parecer dessa forma ou de outra é algo que pelo menos para mim representa permitir mudança. Não estou falando para não ter identidade, não. Acredito que todos temos e devemos ter uma essência (aquilo que somos e gostamos quando ninguém está perto), mas acho que somos construídos e desconstruídos a cada dia em alguns aspectos e vejo isso como algo positivo, porque a cada dia nos é dada a chance de aprendermos, enriquecermos nossa vida com experiências.
Então vamos permitir em nós mudanças, vamos permitir que a vida nos ensine e nos construa! 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A necessidade de resposta.

Pode até parecer um contra-ponto do último post, mas não é. Explico o motivo. Semana passada durante uma aula foram levantada algumas questões sobre fé que são complexas para se responder e que muitas vezes são generalizadas ou colocadas em um molde. "É assim e pronto". Mas como um dos colegas observou, o ser humano é muito complexo e a questão da fé faz parte do ser humano, consequentemente até podemos responder de maneira pontual, porém acredito que será uma resposta imprecisa.


Bom, a fé não é o ponto principal deste post, é apenas uma introdução para algumas questões. Esse pequeno debate me fez pensar por que será que o ser humano precisa desse tipo de definição concreta e pontual? Será que isso tem a ver com o tempo no qual vivemos? Por que temos essa necessidade de sempre querer responder tudo? Por que assumir que não sabemos ou lidar com a incerteza nos incomoda tanto? Por que isso é visto como um sinônimo de fraqueza?

Muitas perguntas e assumo que não tenho respostas definitivas para elas, apenas o começo de algumas hipóteses.

Talvez essa necessidade esteja envolvida com a era que vivemos, com a valorização da ciência e explicação (ou suposta/temporária explicação) de tudo. Não saber pode significar ou que você não procurou direito ou que você é incompetente. O que não é necessariamente verdade. Muitas das questões da vida não tem e talvez nunca terão respostas, ainda que nós busquemos com todos os nossos esforços.
Também acredito que possa ter a ver com o querer ter o controle de tudo, como já falei em posts anteriores. Quando não sabemos, não temos o controle em nossas mãos e isso nos traz insegurança. Quando "conseguimos" definir, pontuar, fechar o tema e falar "é assim" satisfazemos nosso ego e nos sentimos seguros.

Apesar disso, talvez o anseio do ser humano para encontrar respostas e afirmar de forma que traga conforto a sua mente nunca cesse. Parece sempre que precisamos de uma resposta. Infelizmente isso faz com que muitas vezes a "encontremos" de maneira manipulada e forçada. O que para mim não parece ser a melhor solução.
Então finalizando, penso que podemos ter duas formas para viver (podem haver mais, mas citarei só duas aqui): achando que temos o controle e encontraremos as respostas ou assumindo nossa limitação e convivendo com as incertezas de maneira franca.
Até agora estou escolhendo a segunda (ou pelo menos acho que estou, em alguns aspectos). Qual você escolhe?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Por que nos contentamos com o raso?

(Ainda que possa parecer meio "sou escritor de livro" ou coisa do tipo, não posso deixar agradecer a Yohana por ter contribuído com esse post).

Nossos dias são repletos de informação. De diversas fontes, diversas opiniões e profundidades. O que antes era pouco e limitado para a maioria, agora existe até em "excesso". Das enciclopédias para o Google. Da pesquisa manual nos índices para as teclas e cliques. Como avançamos no quesito quantidade!
Porém, como alguns já enfatizam, quantidade não é necessariamente qualidade. Ao passo que temos muito, temos pouco. Pouco conteúdo aprofundado. Pouco explorado por quem disponibiliza assim como pouco procurado por quem lê. Vivemos um tempo que "vemos, logo compartilhamos" (fazendo uma adaptação a Descartes). Há um nível muito raso, novamente lembro das redes sociais, infelizmente também muitas vezes em nossos relacionamentos, nossos estudos e conteúdos que sabemos. Sabemos muito pouco de muitos assuntos e ficamos satisfeitos com isso. 

Por que isso? Teoricamente não deveria ser o contrário? Maior disponibilidade, maior busca? (Sei que existem exceções e estou generalizando). 
Mas talvez isso tenha relação com o pensar. Não só o pensar por pensar. O pensar de maneira profunda. Só se chega a informações profundas quando se pensa de maneira profunda. Pensar assim é um trabalho árduo e em nem sempre rápido. Em nossos dias tudo é muito rápido e "não temos tempo para isso". Penso que esse é um possível motivo para não buscarmos a fundo. 

Vejo que uma das grandes capacidades do ser humano (se não for a maior) é pensar de forma crítica. Precisamos exercitar isso. (Infelizmente no Brasil não somos estimulados a pensar dessa forma, porque em muitos lugares, o questionar já é necessariamente afrontar e desrespeitar). Não acho que isso deva ocorrer de forma frenética, mas ao seu tempo. Cada um tem o seu. O importante talvez seja ter "fome" por pensar, por aprender. Assim deixaremos de nos contentar com o raso, estimularemos nosso pensamento crítico e quem sabe dessa forma, conseguiremos unir a quantidade à qualidade. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Por que tanto ódio? - O agravante das redes sociais.

Será que sempre fomos pessoas com ódio e intolerância e agora que isso está vindo a tona por causa dos meios de comunicação, principalmente das redes sociais?

Faço essa pergunta porque não sei se é impressão minha, mas parece que cada vez mais nos tornamos pessoas mais intolerantes e "donas da verdade" na internet. Quem nunca viu posts de redes sociais (qualquer uma delas: Facebook, Instagram, Twitter, etc.) do tipo "lixo!", "vai se f*&#.", e outros semelhantes? Ou também entrou em um site de notícias e viu ao final da matéria comentários totalmente desnecessários e depreciativos simplesmente por não concordar?

Parece que a internet, mais especificamente nas redes sociais, se tornou um lugar de expor todo ódio sem ter um motivo relevante. (Sei que não sou o primeiro e nem serei o último a me manifestar sobre isso).
Não estou dizendo que temos que concordar com tudo o que lemos, mas se formos criticar, que seja uma crítica embasada, com respeito, sem ofender quem escreveu simplesmente porque a pessoa expôs a visão dela.
"Tenho o direito de me expressar". Ok. Tem mesmo. Mas como no velho ditado "quem fala o que quer, ouve o que não quer". Assim como a pessoa pode ofender, com boa probabilidade também será ofendida da mesma forma. Talvez seja muito confortável se esconder "atrás" da tela do computador ou do gadget e comentar qualquer besteira sem pensar nas consequências. Mas pergunto: o que adianta escrever isso?

Talvez tenha algo mais profundo em tudo isso. Talvez realmente sejamos pessoas cheias de amargura em nossos corações e que a forma de extravasar isso é postar, comentar. Penso que nossa sociedade com o espírito de competitividade exacerbado também contribui para nossos comportamentos agressivos. Quero deixar claro que não estou jogando a culpa na sociedade e isentando as pessoas, porém o modo como nós vivemos parece contribuir, porque a todo momento queremos nos comparar ao outro e vencer.
O desrespeito, o ódio, a intolerância começam a partir do momento que me julgo superior ao outro. Mas será que realmente sou? Ou seria essa uma auto-defesa para não expor minha fragilidade? Parece razoável a ideia de diminuir o outro já que não consigo me exaltar e nas redes sociais consigo ser superficial o suficiente para que não vejam o quão imperfeito sou na realidade.

Temos um agravante das redes sociais, mas temos a oportunidade de repensar o modo como as utilizamos. Temos um problema mais profundo de ódio em nossos corações, mas tempos a oportunidade de pensarmos, por que disso? É tempo para mudar. Ainda não é tarde demais para se questionar.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Por que tanto ódio? - A intolerância de nossos dias.

Havia escrito um post na última sexta (17/07) e ele sumiu. Não sei se apaguei sem querer ou se foi um erro do site. Mas basicamente, estava incomodado porque sentia que faltava algo em minhas postagens. No dia seguinte, conversei com alguns amigos sobre esse incômodo que pairava sobre minha mente. Ainda não sabia como explorar um tema de maneira mais profunda e ao mesmo tempo tentar escrever um texto objetivo e compacto. Foi então que uma amiga deu a sugestão de separar o tema em vários posts. Não tinha parado para pensar nisso e achei que poderia ser uma boa ideia para utilizar aqui. Então, partir desse post começarei essa proposta com o tema: Por que tanto ódio?

Outro dia estava andando de ônibus e ouvi um comentário sobre o incêndio na boate em Santa Maria - RS. O rapaz dizia que os que estavam na boate deveriam morrer mesmo só porque estavam no show da banda (que por sinal, não era do estilo que ele gostava) que, segundo a imprensa, soltou os fogos de artifício. Com esse e outros comentários, percebo uma intolerância, não sei se crescente ou não, mas em todos os aspectos, como por exemplo: étnico/cultural, sócio-econômico, religioso, etc.

Para ilustrar, vemos na tv, internet, jornais, casos de racismo e como as pessoas estão reagindo a eles. O mais noticiado recentemente foi com a Maju, do JN. (Às vezes até chega a causar indignação de como em pleno século XXI algumas pessoas ainda acreditam que a capacidade de alguém está sujeita a cor de sua pele). Mas o problema é que isso parece que ocupa espaço em todas as áreas de nossa vida. "Se você não torce para o mesmo time que o meu, você não merece meu respeito. Se eu te encontrar na rua vou te espancar até você entrar em coma ou morrer". "Se temos posicionamentos políticos diferentes, te odiarei com todos meus compartilhamentos no Facebook". E assim por diante. Poderia dar uma série de exemplos, mas acho que não é necessário. Já deu para entender.

Por qual motivo devemos ser tão intolerantes? Sinceramente, não consigo entender qual é o problema do outro ser diferente, pensar diferente, gostar de coisas diferentes.
A beleza do ser humano está na diferença. Se todos fôssemos exatamente iguais seria muito chato.
Precisamos pensar e repensar sobre nossa intolerância. Se continuarmos da forma que estamos nossa sociedade tenderá a ser ditatorial novamente. Imposição e caso não seja acatado, repressão. Nos uniremos aos acontecimentos que marcaram a história como fatos lamentáveis: fascismo, nazismo, a ascensão do Ku Klux Klan, etc. Além de enchermos nossos psicólogos e psiquiatras (e por que não até mesmo manicômio) com gente reprimida, deprimida e sem oportunidade de viver da forma que é.

Vivemos dias de alerta e penso, por que tanta intolerância se pode haver aceitação? Por que tanto ódio se pode haver o amor?
Observando tudo isso fico pensando aonde nós vamos chegar? Parece que estamos regredindo como sociedade. Ou será que sempre fomos assim e agora isso está vindo a tona por conta dos meios de comunicação, mais especificamente por causa das redes sociais?



quarta-feira, 24 de junho de 2015

"Amigo estou aqui..."

Como já dizia a canção de Toy Story, "amigo estou aqui", semana passada dois fatos me fizeram pensar sobre como é importante desenvolver amizades, relacionamentos verdadeiros.

O primeiro deles foi reencontrar no mercado um casal de amigos que fazia tempo que não via. Nós conversamos durante uns 30 minutos e saí daquela conversa pensando "como foi bom revê-los", não só por ter sido uma conversa muito agradável, mas por considerá-los pessoas importantes.

O segundo foi um outro amigo que há um tempo não parávamos para conversar, mesmo encontrando direto, simplesmente chegar e perguntar se estava tudo bem e etc. Também conversamos durante bastante tempo e foi muito bom. Me senti renovado após a conversa.

Duas coisas simples, cotidianas, que para mim refletiram o "ser amigo".

Entendo que a amizade vai além de nossos interesses. A verdadeira amizade não envolve só os interesses pessoais, antes aceita o outro com suas virtudes, dificuldades.
Claro que parece ser mais fácil torna-se amigo de quem tem os mesmos interesses que você (talvez seja mesmo), por outro lado, conhecer pessoas diferentes ajuda a perceber quão interessantes essas pessoas são e o quanto elas podem nos ensinar.

Em dias que parece que cada vez mais nos ajuntamos com os nossos semelhantes e atacamos os diferentes, quebrar barreiras e fazer amigos diferentes verdadeiros é sem dúvida uma riqueza a ser guardada por toda a vida.
Amigos que tem ousadia em te corrigir, te fazer passar vergonha, te "salvar" em momentos constrangedores, te ouvir quando você simplesmente quiser desabafar. Amigos que não escolhem data ou hora para ir em sua casa "fazer um lanchinho" e que da mesma forma te recebem. Amigos que atendem sua ligação tarde da noite. Amigos que só de olhar você já sabe o que eles estão pensando. Amigos que mesmo passando anos longe, quando encontram é como se vissem todo final de semana.
Independente de como sejam seus amigos, deixe a vida te dar pessoas que você pode ouvir e falar "amigo estou aqui...".


terça-feira, 26 de maio de 2015

O fascínio das fórmulas do sucesso.


Quando você lê títulos de livros como "5 passos para felicidade", "7 maneiras infalíveis para manter seu casamento saudável" ou "A trilha para o sucesso profissional", não fica esperançoso? Tenho visto vários livros e matérias em sites com esse tipo de título.


Seguir fórmulas é atrativo porque parece ser um atalho para nossa vida, mas nem sempre é. As fórmulas ou passos para ter sucesso em algo pode ter funcionado muito bem para quem escreveu o livro, realizou a pesquisa e para outros, porém é importante termos em mente que cada vida é única.

Algumas coisas podem funcionar para nós mas não é uma regra. Ter isso claro é fundamental para evitarmos frustrações profundas (principalmente aquelas que parecem que o problema está em nós, e não necessariamente está).

Acredito que podemos sim utilizar passos da fórmulas, ver o exemplo de outros, ter o conhecimento das pesquisas e estudos, mas querer que eles sejam uma verdade completa em nossa vida pode significar perda de autenticidade, perda da identidade própria. (E sinceramente, não acredito que nascemos para ser cópias).

Entendo que nossa vida deve ser construída, passo a passo, buscando viver com intensidade a fase a qual passamos. Ainda que pareça muito mais fácil seguir um caminho traçado por alguém, nós devemos trilhar nosso próprio caminho. Isso é vida, isso é viver.

Então cuidado com o fascínio das fórmulas de sucesso. Vamos em busca daquilo que nós consideramos ser sucesso, construindo nosso próprio e único caminhar.