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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Sentir-se totalmente preparado

(Milagrosamente, estou postando pela segunda vez em um intervalo bem curto. Acho que há muito isso não acontecia. Preciso aproveitar o frescor da ideia e já que estou no computador, escrever.)

Outro dia estava conversando com um amigo meu que será pai e perguntei: "E aí, está preparado?". Ele me deu a seguinte resposta: "Ah, a gente nunca está né...". E complementou que também foi assim quando ele casou, quando mudou de cidade, mas que deu tudo certo. 

Agora pela manhã estava pensando em quantas vezes me senti preparado para enfrentar algo novo e estava totalmente confiante que conseguiria fazer aquilo tranquilamente. Me arrisco dizer que foram pouquíssimas vezes. Pode ser uma questão de auto-estima? Talvez. Mas o que me lembro é que as vezes em que me senti totalmente preparado e totalmente confiante, fracassei. 

Vejo isso acontecer bastante no esporte também. O favorito entra se achando campeão e acaba caindo. Não é uma regra, mas parece que quando o atleta sabe que se preparou e está com os "pés no chão", ciente de que pode não vencer, a chance de sucesso parece maior. Isso pode também ter relação com o atleta dar tudo de si na competição, como se ela fosse a última.
A sensação de não estar totalmente preparado é boa, apesar de não parecer. Evita a soberba, a prepotência e uma frustração ainda maior em caso de fracasso. Além de incentivar a fazer o melhor, o máximo possível.   

Estive pensando sobre esse tema por lembrar que nos últimos anos tenho me deparado com algumas situações nas quais não me sentia totalmente preparado. Término do mestrado, ida para a Holanda, cargos na igreja, situações que tive que falar em público para um número considerável de pessoas. 

E já sei que virão outras em 2019.

Mas a conclusão que cheguei é: tudo bem não sentir-se totalmente preparado. Como acabei de falar, isso pode ter seu lado bom. O importante é seguir em frente, preparado ou não, confiante com os "pés no chão". O jeito melhor de caminhar, a gente aprende no caminho, por mais cliché que isso possa parecer. 

sábado, 10 de março de 2018

Armadilhas: por um uso mais consciente das redes sociais

Você já assistiu aqueles filmes em que a personagem principal está caçando algum adversário (seja um animal, um et ou uma outra pessoa) e precisa fazer uma armadilha para ter sucesso?
Eu lembro um pouco de Predador, quando o Arnold Schwarzenegger faz uma armadilha com troncos de árvores, galhos e cipós para tentar emboscar o Predador.  
O segredo por trás da armadilha está em enganar e surpreender o adversário. Praticamente todos os dias vejo armadilhas. Não são iguais a do filme, mas que se apresentam de diferentes formas nas redes sociais. (Aliás, estava relendo uns posts antigos e vi que já escrevi sobre as redes sociais e volto a escrever sobre isso).

Quais armadilhas? Vou falar daquelas que identifiquei e é bem provável que existam outras. (Isso não é uma crítica com o objetivo de destruir quem usa as redes sociais, tanto porque eu também uso. Antes é um convite para a reflexão da forma como nós usamos). 

- Vida perfeita
Essa talvez seja uma das mais comentadas e já vi várias críticas à ilusão que as fotos e status das redes sociais trazem. Principalmente no começo da vida, quando vemos influenciadores digitais postando sobre suas viagens, produtos ganhos, etc, podemos cair na armadilha de achar que a vida deles é perfeita. Importante ressaltar que não estou colocando a culpa nessas pessoas, às vezes é o trabalho delas assim como os atores e atrizes que precisam interpretar nos filmes. A questão é que as pessoas se iludem com uma vida perfeita. 

- Superficialidade na vida
Consequentemente com essas fotos de uma vida perfeita somos tentados a focar na aparência e na superficialidade. Talvez a gente não tenha noção de que nossas redes sociais pode chegar aos países mais distantes.
Estava assistindo outro dia uma entrevista com uma banda de três irmãs que começaram a fazer sucesso por causa de um vídeo na internet. Elas falaram bem espantadas de fãs na Suécia, no Brasil e elas são do México.
Por causa dessa distância, acabamos "conhecendo" as pessoas pelo que postam nas redes sociais, o que dificilmente traz um conhecimento real a não ser que você converse frequentemente com a pessoa. Do contrário, fica apenas a superficialidade das fotos/vídeos e ao que a pessoa aparenta ser.

- Egocentrismo
As redes sociais são algo pessoal, seu usuário terá seu nome ou nickname, então nada mais óbvio do que postar coisas sobre você, seja fotos, vídeos. Porém, há um risco que é de se tornar egocêntrico. Postar todos os dias fotos aleatórias apenas para conseguir a atenção ou o like das pessoas. Entendo que às vezes isso pode ser visto como uma forma de melhorar a auto-estima, mas se não houver correspondência, a auto-estima vai apenas piorar. Não sei se as redes sociais são os melhores lugares para tentar resolver esse tipo de problema. É mais provável que encontremos o perigo de achar que o mundo precisa nos ver e contemplar.  

- Superficialidade nas informações 
Não é muito difícil encontrar nas redes sociais as "fake news". O que acontece? Alguém, por N motivos resolve postar uma mentira na internet e as pessoas espantadas com aquela suposta notícia começam a compartilhar muitas vezes sem verificar a fonte ou a veracidade daquilo. Recentemente tivemos o caso da menina Síria, que foi divulgado que mesmo sem os pais e com o país em guerra ela era capaz de sorrir. O que foi desmentido pelo fotógrafo alguns dias depois. E em um passado nem um pouco distante aconteceu a mesma coisa com o menino negro na praia de Copacabana na virada do ano. Muito se falou sobre a foto sem ao mesmo saber qual foi a situação de fato. Vê?! Acontece frequentemente! 

O que fazer diante de tudo isso?
Acho que hoje viver sem redes sociais é quase impossível. Mas é possível sim termos um uso mais consciente das redes sociais. Isso não significa que vamos mudar a internet, mas podemos mudar nossa mentalidade e não cair nas armadilhas que a internet pode abrigar.

Podemos considerar que ninguém tem uma vida perfeita; que as redes sociais não representam necessariamente a vida real; que o mundo não gira ao nosso redor; e que nem tudo o que vemos na internet é verdade, por isso, antes de compartilhar, melhor verificar a procedência da informação. 
Simples assim! Saber disso pode nos ajudar a ter um uso mais consciente das redes sociais.

quinta-feira, 1 de março de 2018

A vida e a montanha-russa.

Depois de um tempo sem escrever (novamente), ocupado com outros afazeres e um pouco sem inspiração, voltei! 

Em um pouco mais de um mês muitas coisas já aconteceram. Ao mesmo tempo que parece que o ano acabou de começar, afinal o Carnaval foi há duas semanas atrás, já estamos em Março. 
Estava pensando em meu penúltimo post sobre as expectativas para esse ano e me vi bastante otimista. Mas como disse, em pouco tempo muitas coisas aconteceram e não da forma como eu esperava.

Não fui aceito na universidade da Holanda na qual me inscrevi. Infelizmente faltaram 3 pontos no TOEFL para ser um possível candidato. Achei que a correção foi injusta? Um pouco. Fiquei meio perdido por um tempo? Sim! E outros planos que também tinha em mente ainda não deram certo.

Por isso comecei a pensar sobre a montanha-russa que às vezes acabamos vivendo. Em um momento parece que tudo vai dando certo de forma fluida, como se estivessemos em ascensão. E então, quando menos esperamos as coisas não saem como o esperado e planejado e nos encontramos quase que em queda livre.
Isso acontece. Faz parte da vida.

Steel Dragon 2000 em Nagashima, Japão. Foto de 2007.

Por mais pessimista que possa parecer, a intenção na verdade é ser realista. A vida não é um conto de fadas, nem um lugar perfeito. Talvez essa seja a beleza da vida, porque ela é surpreendente, às vezes positivamente, às vezes negativamente. Claro, qualquer um de nós gostaria de ser surpreendido só positivamente, mas não é assim que funciona.

Apesar dessa montanha-russa, existe um elemento em nós que não pode mudar: a esperança. Sim, sei que em algumas situações parece que nossa esperança vai embora. Não temos motivos mais para acreditar ou ter otimismo. Mas se nossa esperança acabar, nossa vida também acaba. Quero deixar claro que ter esperança não é se iludir. São duas coisas diferentes.

A esperança é como se fosse uma folha em branco que ainda vai ser escrita e a ilusão, uma folha escrita que não queremos aceitar o que está ali e fingimos que está em branco. Percebe a diferença?

Tem uma música que ouvia bastante quando era adolescente que dizia: "mas é claro que o sol, vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei." Eu parei de ouvir essa música porque ficava meio depre, mas a letra dela é bastante profunda. Existe um "hoje" e vai existir um "amanhã". 
Nossa vida pode ter várias folhas em branco e precisamos estar abertos para o que vai ser escrito nelas. E claro, sempre desejando que seja escrito o que há de melhor. 

Apenas para concluir essa reflexão rápida. A vida nunca vai deixar de ser essa montanha-russa, cabe a nós então não perdermos a esperança.

Last Hope - Paramore Letra traduzida

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Motivação e condições.

No contexto de tempo, diz o ditado: "Quem quer, dá um jeito" e realmente parece que quando estamos com uma prioridade alta em um assunto, nós fazemos até o impossível para alcançar o objetivo. Depende muito de nossa motivação.

Outro dia fui tentar caminhar/correr, mas não consegui correr por muito tempo. Em parte por falta de condicionamento físico. Enquanto voltava a caminhar comecei a me questionar por que não consegui continuar correndo, mas "estanho" que quando é em um jogo de futebol, normamente consigo. Logo pensei na motivação. 
Quando estou jogando, minha motivação para ter a posse da bola e marcar um gol é alta, por isso não desisto tão facilmente. Agora quando estou correndo sozinho, sem nenhuma meta específica e com meu corpo pedindo para caminhar, a situação muda. 
A motivação pode estar no sentido mais extintivo, como por exemplo, comer, dormir, tomar água. Nós fazemos motivados para sobreviver. Ou a motivação é por algo que hoje achamos necessário ou importante. Nesse caso, a questão é mental. Se você entende que é importante, vai se motivar mais para tal. Em alguns casos é preciso um certo trabalho psicológico, como pode ser na minha situação da corrida. 

Porém, acredito que também existe um outro fator que influencia quando vamos fazer algo que é a condição, ou melhor, as condições. Por exemplo, se tenho um lugar apropriado para correr ao lado de casa, minha motivação para ir lá pode aumentar, comparado se tivesse que me deslocar 20 minutos para correr. Ter condições para conseguir fazer algo é o que muitas vezes é levado em consideração ao planejar uma política pública de lazer por exemplo. Foi interessante ver na Holanda o que me falaram ser a lei Cruyff, que é ter um espaço para jogar futebol a cada X metros. Não sei precisar a distância, mas vi muitos campos/campinhos para jogar lá. 

Por estarmos no começo de ano, muitas vezes pensamos em metas a cumprir ou coisas que gostaríamos de fazer. E sendo bem realista, nem sempre conseguimos atingir tudo. Nesse momento de avaliação que a gente possa considerar a motivação e as condições para ter mais coerência e pé no chão.  

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

2018: mudanças, sonhos, reflexões.

Bem-vindo 2018!

Depois de mais de um mês sem escrever e quase nem chegar perto disso, resolvi sentar e tentar. Cheguei a esboçar algumas ideias no fim do ano passado, mas talvez minha cabeça ainda estava fora do ar. (Parece exagero, afinal foram só 3 meses. Só que o problema não é o tempo e sim a intensidade. Admito que minha vontade de voltar para lá é grande mesmo com as diferentes dificuldades, mas vida que segue.)

O ano de 2018 está com desafios diferentes e sonhos que podem ou não se realizar.
O primeiro desafio será em relação aos estudos. Terminada a graduação agora é hora do passo seguinte. Vamos ver se até o final desse mês alguma definição acontece.
Nessa mesma linha estão os sonhos. Como falei acima, a vontade de voltar para a Holanda é grande e tentarei me inscrever para programas de mestrado. Preciso cumprir algumas etapas antes e esse mês de Janeiro será decisivo.

Na semana passada vi uma notícia que me deixou meio triste, desapontado, não sei qual é o adjetivo certo para usar. Um homem entrou em uma das principais igrejas católicas da cidade e quebrou parte da imagem mais importante da igreja. Ele foi preso e a polícia identificou que ele já havia feito a mesma coisa em outra cidade da região e estavam tentando constatar se ele tinha algum tipo de distúrbio ou algo do tipo.
Claro que essa notícia deu o que falar. Na verdade, parece que hoje em dia qualquer notícia faz isso, até mesmo as mais fúteis. É só ver a coluna de celebridades nos sites de notícias.

Enfim, segundo o site, o homem dizia que estava fazendo aquilo porque estava escrito na Bíblia.
Aí claro que como teólogo, precisava refletir um pouco sobre isso.
No Brasil vemos muitas vezes religiões degladiando entre si tendo a mesma origem. Sim, estou falando dos católicos e evangélicos.
Talvez eu esteja enganado, mas atualmente parece haver mais agressividade por parte de alguns evangélicos. E credito essa agressividade a uma série de fatores.

Primeiro, a educação que temos. Educação? Sim, em muitas escolas não se ensina a olhar de forma crítica para as coisas. Lemos e seguimos as regras, sem reflexão e ai daquele que questionar. Nossa incapacidade de interpretar resulta em ignorância e fanatismo.

Segundo, nossa ganância de querer sempre estar certo. Nosso orgulho e egocentrismo faz com que a gente ache que fora da nossa verdade não há outra forma de ver o mundo. O incrível é pensar na diversidade cultural e étnica do Brasil e mesmo assim, os pensamentos que cultivamos continuam sendo de superioridade cultural/étnica e consequentemente religiosa.

Terceiro, intolerância estimulada pela era digital. Li um texto do Jonathan Menezes falando sobre o diálogo na internet e de fato, é fácil sair jogando críticas pesadas de forma irresponsável quando é possível se esconder atrás de um nickname. É só dar uma olhada em comentários no YouTube. O mais assustador é ver que por vezes são crianças de 9, 10 anos comentando de forma agressiva.

Acredito que tudo isso junto com o a ideia de consumismo, na qual, o mundo é feito para me servir, gera esse tipo de pensamento e comportamento de destruição, desrespeito e intolerância. E apesar de parecer ter um tom pessimista e crítico, meu texto tem o objetivo de ser mais reflexivo.

Proponho a seguir algumas coisas para pensarmos em 2018.
Se aqueles que se dizem cristãos querem realmente seguir a Jesus, o Cristo, então comecem estudando mais sobre sua vida e ensinamentos. Procurem se há na Bíblia algum momento que Jesus entra em algum templo de outra religião para destruir o que era sagrado para os outros. Aliás, o único momento que me recordo de ver Jesus agindo de forma mais agressiva é quando derruba as mesas dos comerciantes que estavam no próprio templo judeu. Motivo? Os comerciantes aproveitavam as visitas para explorarem os viajantes com altas taxas de câmbio e preço dos animais para serem oferecidos em sacrifício.
E me parece que Jesus conhecia bem o egocentrismo humano. Tanto que diz o seguinte: "façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam" (Mateus 7:12, Nova Versão Internacional).
Ou seja, antes de agir com intolerância e desrespeito, que a gente se coloque no lugar do outro, como se aquilo que fazemos estivesse sendo feito a nós. E sejamos francos, quando é com os outros queremos juízo, condenação, quando somos nós queremos misericórdia e perdão.

Talvez essas coisas que disse acima já disse em algum momento nesse blog, mas fica a reflexão para 2018. Que seja um ano de mudanças, sonhos e também pés no chão.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Assimilando a experiência.

Infelizmente hoje chega ao fim a série de posts sobre a experiência estudando fora. Durante os últimos dias refleti um pouco sobre o que aconteceu, o que vivi, o que aprendi.
Sem dúvida nenhuma foi um tempo muito fértil de aprendizado, de diversas formas, em diversas etapas e isso talvez se aplique a várias mudanças bruscas em nossa vida. 

A primeira etapa foi o vislumbre. Você chega lá, tudo é novo, é diferente, o meio de transporte, o mercado, o clima, as roupas que as pessoas vestem e o jeito delas serem. Posso comparar essa etapa ao estar apaixonado por alguém. Praticamente tudo é maravilhoso. Isso acontece principalmente no primeiro mês.

A segunda etapa foi a saudade. Depois de passar um pouco a euforia de morar fora do país, começa a aparecer a vontade de levar a vida como era antes, perto dos amigos, da família, falando em seu idioma nativo, comer sua comida tradicional preferida. Parece normal nessa etapa ficar um pouco desanimado e comparando criticamente as coisas até chegar a terceira etapa.

A terceira etapa foi a estabilidade. Foi-se a euforia, foi-se a saudade em seu momento mais crítico, agora chega a estabilidade. Você já se acostumou com a rotina, com parte da cultura, com falar em outro idioma, já achou meios de se sentir um pocuo mais em casa, como por exemplo, indo em lugares com produtos brasileiros. Essa etapa é a de seguir em frente, viver uma vida nova. Talvez posso comparar ela com a maturidade. Mesmo que você não se sinta um nativo daquele lugar, já não se sente tão estranho. 
Uma das coisas que me impactou foi a fala de um brasileiro que está há 20 anos em Amsterdam. Quando ele me disse o tempo que estava lá eu brinquei dizendo "Já é praticamente um holandês então". E ele me respondeu "Ninguém vira holandês. Ninguém vira brasileiro". Em um primeiro momento pareceu um pouco rude, mas depois parei para pensar que realmente faz muito sentido. Não tem como se tornar alguém anulando totalmente sua origem. Sempre carregaremos conosco o lugar de onde viemos, mesmo que estejamos ambientalizados com o lugar atual.

Enfim, tudo está bastante fresco ainda e talvez eu consiga assimilar mais coisas com o passar do tempo. Mas depois da primeira semana no Brasil, essas foram algumas percepções que tive.
Encerro aqui uma sessão desse blog. Em parte triste porque os três meses passaram muito rápido, mas bastante entusiasmado com os desafios que estão pela frente.

Obrigado por ler até aqui e espero te ver no próximo post!

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Comunicação.

Estava reparando que uma das coisas que mais me deixa angustiado é quando tenho dificuldades em comunicar-me com alguém. É uma sensação de frustração bem grande. Já havia passado por isso algumas vezes no Japão 10 anos atrás, mas agora que parei para pensar nisso. (Aliás, não sei se já falei, mas aqui está sendo um bom tempo de reflexão).

Em todos os lugares que passei sempre ouvi e também falei algo do tipo “precisamos melhorar nossa comunicação” ou “vamos sempre deixar tudo claro”. Eu não sei o motivo, mas parece que às vezes simplesmente achamos que as pessoas conseguem entender o que queremos dizer com uma palavra só. Óbvio que nem sempre acontece. Se no Japão a dificuldade era de ser entendido, falava inglês mas não adiantava muito, aqui é diferente. O que angustia é que do nada ouço palavras soltas e a pessoa espera que eu entenda. Começo então um jogo de adivinhação, o que sinceramente me tira a paciência.

Claro, sei que existe a dificuldade com o idioma, que o jeito de pensar varia de cultura para cultura. Mas quando percebo que a pessoa não entendeu, tento explicar de outras formas, até mesmo desenhando e não esperando que a pessoa adivinhe o que quero dizer.

Enfim, passar por esse tipo de situação é bom porque dessa forma tento ficar mais atento na hora de me comunicar, a primícia é “nem sempre o que está claro para mim, está claro para o outro”. E assim vamos seguindo nessa vida com milhões de cabeças diferentes, tentando se comunicar de alguma forma, inclusive na base da adivinhação.

domingo, 1 de outubro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Inspiração.

Esse tempo que tenho vivido aqui na Holanda está sendo bastante especial e significativo. Como falei no post anterior um tempo de crescimento como pessoa e também de reflexão sobre a vida, sobre o futuro. Especialmente esse final de semana foi bastante interessante.
Eu e mais um amigo do Egito fomos visitar uma igreja protestante na comunidade de Son en Breugel. Na verdade são dois vilarejos diferentes, Son e Breugel, mas como são bem pequenos, eles juntaram e por isso é a igreja de Son "en" (e) Breugel. Acho que deu para entender né?!

Durante essa visita, antes de voltarmos para Amsterdam, passamos na cidade Eindhoven e fomos em um lugar chamado Hemelrijken que significa "Reino do Céu". Lá as pessoas que são moradoras de rua, pessoas com baixa renda, pessoas sozinhas podem ir, tomar um café, comer um pão, tomar sopa, descansar um pouco, encontrar alguém para conversar. Nós ficamos hospedados na casa da Thea, antiga coordenadora desse trabalho, ela ficou a frente durante 12 anos e contou um pouco da história.

Em 1996, o bairro era marginalizado, lugar de prostituição, viciados em drogas e então eles começaram esse projeto lá e com o tempo foram chamando a atenção da prefeitura para fazer melhorias na região. Hoje parece ser um lugar bastante diferente, várias residências, famílias. No começo poucas pessoas íam lá na semana, mas atualmente, em dias de frio mais intenso, são cerca de 80 pessoas que passam diariamente.

Tive a oportunidade de conversar com a atual coordenadora da casa. Ela disse algo que me impactou bastante, que ali eles tentam dar um pouco de dignidade para as pessoas, tentam mostrar que elas possuem valor, que não são o lixo da sociedade. E essa é a filosofia desde o começo, proporcionar para a pessoa que entra ali a "sensação de estar no Céu", mesmo que seja durante uma hora, durante um dia. Quem trabalha lá são voluntários e não estão para julgar o que a pessoa fez ou deixou de fazer, estão simplesmente para ouvir, conhecer, conversar. Nós temos um senso de julgamento muito afiado, ficamos dando palpites, se é bom ou se é ruim. Conhecer aquele lugar, me fez refletir, me fez ser um pouco mais humano e um pouco menos juiz.

Pessoas como a Thea e a atual coordenadora (que não entendi o nome), foram inspiradoras para mim. E como é importante ter pessoas que inspiram. Isso não é um papo de Bel Pesce, mas de fato, ter pessoas que de alguma forma te inspiram e ajudam a ir além é muito encorajador. Quem te traz inspiração?

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - The time has come!

Enfim chegou o dia! Um tempo para ficar na memória!

Logo estarei conhecendo outras culturas, outra rotina, outro idioma e é claro que são muitas as expectativas e incertezas: será que vou conseguir me adaptar rápido? E as pessoas como serão? Meu inglês é suficiente? Meu projeto está bom? Estou levando os materiais certos?

Mas agora não tem mais volta, o desafio já foi aceito e está na hora de encará-lo. 

Foto: Eurovoix

O frio na barriga aumenta e sei que a responsabilidade é grande. Quero poder corresponder da melhor forma possível. Não, não é discurso pronto de jogador de futebol, é aquilo que tenho pensado durante esses últimos meses desde que fiquei sabendo que havia sido escolhido.

Levo em minha bagagem a torcida da minha família e amigos e agora é "Daag! Tot ziens, Brazilië!" ("Até logo Brasil!")


terça-feira, 11 de julho de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Preparação.

Quando falo que irei para Amsterdam fazer intercâmbio várias pessoas me perguntam sobre como está a minha preparação. No fundo é um pouco difícil saber exatamente como se preparar quando se é a primeira vez. Aí ao mesmo tempo bate uma mistura de insegurança com otimismo. Insegurança porque parece que não é o suficiente e otimismo porque acredito que não vou morrer de fome ou sede e vai ser uma experiência muito boa lá.
Uma boa vantagem que existe hoje em comparação com algumas décadas atrás são os recursos tecnológicos: vídeos no Youtube, Google Maps, aplicativos de lugares para ir, site da universidade, dicionários no celular, etc. Isso de certa forma traz um pouco mais de segurança, ainda que na vida real as coisas sejam meio diferentes. 
Mas, vou ser um pouco mais específico e contar como está sendo minha preparação. Estou tentando me preparar da forma mais ampla que consigo.

Como já sei o local em que ficarei hospedado, procurei vídeos, entrei no Google Maps para ver onde fica mais ou menos, se fica longe da universidade, o que tem na região (mercado, farmácia, estação de metrô). E também peguei algumas dicas com meu professor Jonathan Menezes que já foi para lá pelo mesmo projeto.

Já com a parte do idioma, tenho estudado inglês de várias formas, assistindo vídeos/filmes, lendo artigos e recentemente me matriculei em um curso online para especificar a leitura e escrita do inglês acadêmico. E para não chegar lá sem saber nada do holandês, no meio do mês que vem começarei um curso de holandês básico online, pela mesma plataforma que estou estudando o inglês. Aliás, se você tiver interesse, é a Future Learn.

Também estou tentando aprender um pouco sobre a cultura holandesa, li o livro da Anne Frank e agora estou lendo o livro "O Refúgio Secreto", de Corrie ten Boon, que escondeu judeus em sua casa na época da II Guerra. Assisti alguns vídeos e documentários sobre Amsterdam, ainda que sejam com mais foco turístico, é interessante saber.

E por último e não menos importante, semana passada fui adicionado em um grupo no Facebook dos intercambistas que estudarão comigo. Fiquei surpreso em ver que estudarei com pessoas de vários países do mundo. Aqui está o mapa com todos os países que terão representantes. Vai ser uma experiência cultural muito legal!



Basicamente essa está sendo minha preparação. Agora é contornar a ansiedade e continuar estudando!

Obs: Achei um site que fala sobre várias bolsas de estudo disponíveis na Holanda. Para esse ano as inscrições já fecharam, mas se você tem o interesse de estudar fora, vale a pena dar uma olhada porque tem MUITA bolsa. Aí você já pode ir se preparando para ano que vem. O link é esse: https://www.nesobrazil.org/bolsas-de-estudo

terça-feira, 27 de junho de 2017

Saudade...

Saudade...

A máxima dos brasileiros sobre a palavra saudade é que ela não existe em outros idiomas no mundo. Só para exemplificar, em inglês é traduzido como "I miss" que seria algo como sentir falta ou em japonês "natsukashii", que traz um sentimento de nostalgia. Não conseguem retratar completamente o que é saudade.

Estava pensando sobre esse sentimento que é a saudade e como ela pode ser bastante diferente de pessoa para pessoa, de situação para situação. Às vezes sentimos uma saudade "boa", como por exemplo, sinto saudades da época que eu era pequeno e jogava bola na casa de um amigo meu, era um futebol misturado com brincadeira, a gente se imaginava como personagens de um desenho chamado Super Campeões que passava na Manchete.
Mas nem sempre esse é o tipo de saudade que sentimos. Também tem a saudade que nos traz uma certa dor, principalmente dor da perda. Sentimos falta de alguém querido que já não faz mais parte da nossa vida, na maiorida das vezes por ter falecido ou também ter viajado para um lugar longe. Ou ainda pode ser aquela dor de estar longe da pessoa que se ama, que provoca suspiros e olhares fixos para o nada, a clássica saudade de um casal apaixonado.

Tanto o tipo quanto "bom" quanto o tipo "ruim" se não dosados na medida certa podem ser prejudiciais para nós, porque saudade remete a algo que foi vivido no passado. Quando nós sentimos saudades e ficamos remoendo aquilo, podemos ficar paralizados, viver com o coração no que já passou e deixar o presente ir embora. Consequentemente, é possível sentir saudades do tempo perdido sentindo saudades. Vê?

Lembro-me da época em que voltei do Japão, ficava assistindo programas japoneses, vendo fotos, vídeos e era uma mistura de saudade boa com a ruim. Boa, me lembrava dos momentos legais que havia vivido lá, das pessoas que conheci, dos lugares que fui, das coisas que fiz e ruim, estava longe e não podia voltar no momento, a realidade no Brasil era muito diferente. Passei muitas horas sentindo saudade.

Sentir saudades é tão complexo que na verdade nem no próprio português nós conseguimos definir, mas nem sempre as palavras conseguem dar explicação ao sentimento não é?! 

Em resumo, o sentimento de saudade é complexo e sentir saudade faz parte da vida, mas que isso não nos impeça de continuar prosseguindo no presente.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Sessão nova no blog - Sonhando acordado: Amsterdam.

(Aviso: Só irei no segundo semestre).

Tenho pensado esses dias sobre o planejamento da minha viagem e uma das dúvidas foi: "Será que faço vídeos e posto no Youtube? Ou será que vou escrevendo no blog sobre minha experiência na Holanda?"
Na verdade a questão é: hoje em dia acho que poucas pessoas tem paciência para ficar lendo postagens em blog e o vídeo nesse sentido poderia ser bem mais atrativo. Só que sei que quando queremos algo de verdade nós corremos atrás, então acredito que quem realmente quiser saber sobre a experiência vai ler o blog.
Claro que não vou postar um texto kilométrico, nem é minha característica.

Por que não vou fazer vídeos?
Editar um vídeo requer tempo e não sei como será meu cronograma, uma postagem no blog será mais rápida; acho que para um vídeo ficar legal, a pessoa precisa de algumas características (ex: sacadas boas, ser divertida naturalmente, ser extrovertido, etc) que acho que não tenho; o tempo de intercâmbio vai ser curto para fazer um tipo de vlog, se eu fosse ficar 1 ano eu pensaria, mas 3 meses acho que não vale a pena.

Então, hoje começo essa nova sessão no blog! 



Começarei contando como foi que fui selecionado para o intercâmbio.

Acho que nesses quase dois anos de blog (dia 20/05 completo 2 anos) não falei muito sobre mim, tanto porque nem é o foco, gosto apenas de compartilhar pensamentos. Mas, sou estudante de Teologia e estou no último ano. No final do ano passado fui informado pela diretoria da faculdade que existia um convênio com uma faculdade na Holanda e que eles estavam pensando em me indicar para tentar o intercâmbio. Na hora eu nem precisei pensar duas vezes para aceitar, estudar fora já é um sonho faz um tempo.
Alguns dias depois me informaram sobre como seria o procedimento, eu precisaria mandar um projeto de pesquisa e nas diretrizes gerais estava escrito que o programa tinha convênio com faculdades da Ásia, África e América Latina, isso me deixou um pouco inseguro, porque eu não fazia ideia de quantas pessoas poderiam se inscrever.
Tive um pouco mais de um mês para fazer o projeto, pedi ajuda de professores, principalmente com o inglês que como vocês podem ver nesse post não é o melhor inglês do mundo e enviei. Não tinha nada a perder não é?!

No final de Fevereiro fiquei sabendo que eu tinha sido aprovado, eram 15 bolsas para um pouco mais de 30 projetos. Foi uma sensação única!
Eles pediram a confirmação de alguns dados para providenciar as passagens e para ir atrás do visto, que não precisei tirar porque os brasileiros podem ficar até 90 dias na Holanda sem visto.

Basicamente foi assim, eu não estava procurando, nem sabia da existência dessa parceria, então só posso agradecer a Deus e as pessoas da faculdade que me indicaram.
Ainda não tenho muitos detalhes sobre a ida, a volta, onde vou morar, etc, eles ficaram me mandar as informações um tempo antes da viagem. Viajarei no segundo semestre e agora estou concentrando meus estudos no TCC (que faz parte do projeto do intercâmbio) e inglês (claro).

É isso, continuarei postagens "comuns", mas a partir de hoje terei essa nova sessão aqui!
Obrigado por ler até o fim!

domingo, 2 de abril de 2017

Indecisão...

Você já viu ou conhece alguém muito indeciso quando precisa fazer alguma escolha? Não parece que ela/ela pensa em todas as possibilidades? E isso chega até a incomodar não é mesmo?

Pois é... Eu sou essa pessoa indecisa e não sei se é tão simples quanto parece ser.



Acho que ninguém é indeciso porque gosta de ser e talvez seja justamente o contrário, quem é não gostaria de ser. Há quem pense ser frescura, há quem ache que é "charme". Mas saiba, para quem é indeciso, conseguir escolher é extremamente aliviador e às vezes é como retirar um grande peso das costas. Ainda mais quando vê que fez uma ótima escolha mesmo com a demora.

Claro que a indecisão não é para tudo! Ou pelo menos não deveria ser (se esse for o caso, é melhor procurar a ajuda de algum terapeuta). Mas as decisões que possuem uma responsabilidade maior, essas sim são difíceis.
E às vezes pior que ter que escolher é ter que escolher sob pressão. Sim, sei que temos prazos, temos compromissos, mas acho que com o tempo e com as falhas os indecisos sabem que precisarão escolher algo, o único porém é que isso pode acontecer somente nos últimos minutos. O importante é que a escolha acontece.

Por que as pessoas são indecisas? 
Acredito que os motivos são os mais variados. Pode ser falta de confiança, pode ser preocupação em fazer a melhor escolha, pode ser algum trauma de ter escolhido depressa demais, pode ser simplesmente o ritmo da pessoa em demorar para escolher porque precisa analisar com calma as informações, pode ser orgulho de não querer errar, pode ser outro motivo que não faço a mínima ideia.

O que fazer com essas pessoas? 
Talvez o mais importante é não pressionar a pessoa indecisa, mas deixar claro que existe um prazo e aí ele/ela se resolve com sua indecisão. Nem sempre terão sucesso e poderão perder prazos, fazer escolhas que se arrependam, mas isso faz parte da vida.

E para quem é indeciso?
O que pelo menos eu tenho tentado fazer é colocar as opções na mesa e avaliar de acordo com o objetivo. Decidido e assumido o compromisso, não fique alimentando o "e se eu tivesse escolhido diferente?". Escolheu, escolheu! Assim é a vida! Sim, existem escolhas que podemos voltar atrás, mas nem sempre isso é possível e para essas o que resta é levantar a cabeça e seguir em frente.
Não deixe a indecisão te consumir e nem te paralisar!
 
Cada tipo de pessoa sabendo o outro lado facilita nossa convivência. Haverá momentos de stress dos dois lados? Com certeza! Isso também faz parte da vida! Lidamos com pessoas imperfeitas e assim será. Só que aí todos precisamos escolher, nos isolaremos ou tentaremos conviver?

sexta-feira, 24 de março de 2017

When the dream come true!

First post in 2017, my apologies about the delay.

As I received a great news recently and because I have to practice, this post will be in English.
I'm going to study in Netherlands! This is a dream coming true!

Last week I was taking with a friend and he said that imagine himself traveling around the continents, but it is just a dream.
I answered to him, keep dreaming, it is totally possible!


Source: pixabay.com

You can suppose: "to make my dream come true, I have to be 100% ready".
Sometimes we think like this and I'm not absolutely sure about. (I know that in some cases, you really need to be, like in Olympic Games. But I'm talking about "daily" events just I wrote above.)

I was thinking about the selection process, about my knowledge, my capacity, and other people that could go there. I know, a LOT of people could be in my place because they are more capable, more advanced in knowledge and more other qualities. At same time, I do believe that the preparation is continuous and maybe we will never be 100% ready. I already wrote something similar about it here.
Some things in life we will be ready just after do it. As be parents. Even with parents' classes or tips, only when the baby born we will know how to be a parent. And it just the same with other situations in life.

"Ok, so I will stay here where I'm and wait the dream come true". Wait! I didn't say that!
I said about to be 100% ready, but it isn't mean to be 1% ready and don't do anything.
If you are 1% go further, to 2%, 3%, gradually until be further as you can. So I believe that the dream can come true. Don't stop where you are now! When the dream come true you are more ready than before and things will be easily.

To sum up, don't let your dream go away only because you are not totally ready. Nevertheless, don't wait the dream come true without do anything. Keep dreaming but also do everything you can to make the dream come true!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Ficando para trás...

Fim de ano, retrospectivas em vários lugares e como é de costume, começo a pensar também como foi 2016 para mim. E esse post é para aqueles em sua maioria tem entre 20 e 30 anos e aos fazerem a retrospectiva do ano em algum momento tiveram o sentimento de que estão ficando para trás.
Escrevo este post não somente baseado em minha vida, mas em conversas com amigos que possuem mais ou menos essa faixa de idade*. Vários questionamentos passam pela cabeça e as pressões surgem. Caso você se identifique com o que escreverei, fique tranquilo, você não está sozinho nesses dilemas e meu objetivo aqui é te fazer repensar se você está realmente ficando para trás

De forma geral, quando temos entre 20 e 30 poucos anos muitos sonhos passam pela nossa cabeça, claro, todo jovem é e acredito que deve ser sonhador, mesmo que depois descubra que nem todos os sonhos são realizáveis. Contudo, existe um fator em nossa vida que acho que nos atrapalha muito a perseguir esses sonhos, que é a comparação
Por exemplo, vi N vezes pessoas dizendo: "Será o Neymar o novo Pelé? Será Messi o novo Maradona?" e sinceramente acho isso besteira, Neymar é Neymar, Pelé é Pelé e assim por diante. Para os jovens as comparações trazem a sensação de que estão ficando para trás, o que não é necessariamente verdade. Perceba, na maioria das vezes as comparações giram em torno de estudos/trabalho, estabilidade financeira e relacionamentos. Esses assuntos são aqueles que os parentes perguntam na reunião de fim de ano e que por vezes deixam os jovens incomodados. 
As comparações podem ser com quem está falando ou podem simplesmente passar pela cabeça ao ver algum amigo ou conhecido que tem a mesma idade e a situação é totalmente diferente. Vou esclarecer. 

Comparações com quem está falando
Essas comparações acontecem normalmente quando você está conversando com alguém mais velho e a pessoa começa: "Quando eu tinha a sua idade, eu já tinha minha própria empresa", por exemplo. Pronto. A comparação já aconteceu e se você não está em um bom dia, sua auto-estima já te faz achar que você é um inútil. 

Comparações ao ver algum amigo ou conhecido com a mesma idade
Essas são mais pessoais, muitas vezes inconscientes. Quando você percebe, já está pensando: "Aquela pessoa tem a mesma idade que eu e já é casada e tem filhos". Novamente, comparação feita. Ah sim. essa também pode ter a variação de alguém falar para você: "Aquela pessoa tem a mesma idade que você e já é casada e tem filhos". 

Óbvio, as comparações não são o fim do mundo e para algumas pessoas servem como estímulo. Mas o que acontece muitas vezes é que aumenta a pressão para ser algo que no momento não é possível, seja por não querer ou por não conseguir mesmo. 

Por isso a primeira coisa que considero importante fazer para repensar se estamos ficando para trás é respirar fundo e pensar com calma: "Eu, no momento que estou, gostaria de viver uma situação igual daquela pessoa?". 
Se a resposta for sim, sugiro essas outras duas perguntas: "Por que estou em uma situação diferente?", "Existe algo que eu posso fazer em relação a isso?". 
Se a resposta for não, acredito que o importante é aproveitar a fase que vivemos. Tendo o cuidado para não ficar se cobrando demais, lembre-se Neymar é Neymar, Pelé é Pelé, você é você e tem sua própria caminhada.
Então ainda que talvez em alguns momentos pareça que está ficando para trás, não se desespere, apenas viva sua vida de acordo com suas possibilidades e particularidades

E que venha 2017! Obrigado por ler meus devaneios e até ano que vem!


*Quero deixar claro que o que escreverei não é uma generalização e que necessariamente acontece com TODOS, mas sei que acontece com bastante gente, por isso não considere uma lei e sim a visão de alguns.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Uma pausa é necessária.

O ritmo no qual vivemos atualmente já vem sendo tema de meus questionamentos há algum tempo. Reli um post de Fevereiro e vi que perguntei o motivo pelo qual corremos tanto.
Hoje não é um questionamento em si, mas algo para colocarmos em prática.

Estava lembrando de quando eu era criança, ia para a aula, voltava para casa e ia brincar, ver tv, dormir, jogar video-game. Duas vezes por semana eu tinha aula de futsal no fim da tarde e essa era minha rotina.
Quando vejo os compromissos das crianças de hoje fico assustado porque elas fazem inglês, violão, futebol, natação, redação. (Às vezes acho que são robos disfarçados).

O que isso pode representar? Pode representar um ritmo frenético de vida desde a infância e quando a vida adulta chega esse quadro não muda ou piora. Isso é muito preocupante!
Nosso corpo tem um limite e viver nessa velocidade pode ser altamente prejudicial, às vezes estamos nos destruindo e nem percebemos isso! Ficamos cansados fisicamente e mentalmente e não paramos para pensar porquê.

Recentemente me perguntaram, quanto tempo você tem se dedicado a você? Para praticar uma atividade física, jogar futebol, correr, fazer academia? Então percebi que não estava fazendo nada disso. Talvez precise de uma pausa 2 ou 3 vezes na semana para cuidar da minha saúde também.
O benefício da atividade física vai além do físico, mas também libera tensões, dá sensação de prazer e satisfação.

E não só a atividade física é importante, mas também reservar um tempo para fazer o que se gosta. Ver um filme, ir ao parque, passear com o cachorro, ler um livro, etc. Dia 10 de Outubro foi o dia mundial da saúde mental, uma das dicas para ter uma boa saúde mental é ter um tempo de lazer, coisa que às vezes falta em nossa vida por causa das várias atividades e compromissos que temos.

Então a prática é simplesorganize-se e reserve um tempo para você fazer o que gosta, reserve um tempo para praticar uma atividade física. Você verá como isso pode ser benéfico não só para a saúde física, mas também para o cansaço psicológico, porque, uma pausa é necessária.

domingo, 4 de setembro de 2016

A síndrome de super-heroi e a culpa que não podemos suportar.

No fim do ano passado escrevi sobre a tragédia que aconteceu em Mariana-MG e sobre o que estava ao nosso alcance para ajudar. De certa forma, o post de hoje tem relação com isso.

Vejo que uma característica bem forte presente em muitos jovens é a capacidade de sonhar e idealizar. Talvez isso seja cultivado desde a infância quando ouvimos os contos de fadas, depois na escola, a "bonita história do Brasil" e assim por diante. Tudo de forma idealizada, perfeita e infelizmente irreal.

Compreendo que isso não é de todo mal, porque isso traz esperança, motiva para a construção de um futuro melhor e isso é muito importante. Porém, ao mesmo tempo talvez gere o que chamarei de síndrome de super-heroi.
(O que seria isso?)

É o pensamento de que as coisas só acontecem se você estiver ali e que no final tudo dará certo.

Já percebeu que existem situações que as pessoas acham que somente elas conseguem resolver? Ou ainda, que se elas estiverem envolvidas podem mudar totalmente a situação? Sim! Isso acontece sim! Essas pessoas existem, mas infelizmente não são maioria. O problema é que às vezes são inspiração para que muitas outras pessoas acreditem que estão acima da média, o que nem sempre é verdade.

Qual é a consequência disso? Uma geração de jovens idealistas que atribuem a si mesmos uma importância exagerada e que quando algo falha, a frustração chega de forma multiplicada por causa da expectativa que fora multiplicada. (Deixo claro que não estou desvalorizando ninguém, muito pelo contrário, vejo que a vida de cada ser humano é muito importante, mas uma auto-valorização exagerada é o que considero ruim. Também deixo claro que não acho que seja importante acreditar que dará tudo certo no final, dizem que o otimismo, a fé podem ser decisivos para a recuperação de pessoas doentes. Isso é diferente de fantasiar um desfecho perfeito).

Então junto com a frustração está um sentimento de culpa por causa do fracasso, que também vem multiplicado. Quando nos julgamos responsáveis por grandes coisas, a falha também acaba se tornando nossa responsabilidade. E isso pode ser perigoso a ponto de deixar marcas profundas. Culpa que não podemos suportar. Meu objetivo não desencorajar ninguém a assumir grandes projetos, mas alertar contra a síndrome de super-heroi.

Por isso um lembrete para você e para mim, não ache que tudo depende exclusivamente de você. Não atribua a si mesmo uma responsabilidade que está além do real. Seja realista. Sonhe, mas sempre com os pés no chão. E assim vamos seguindo em frente, com a principal característica que temos, que não é de ser super-heroi, mas sim, seres humanos iguais aos outros.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A vida acontece agora...

(Um post curtinho)
No penúltimo post falei sobre ter esperança no amanhã e dias atrás comecei a pensar no outro lado, nos dias que já se foram. Percebi que estava um pouco nostálgico e talvez isso foi reforçado porque assisti uma série japonesa chamada Kurosagi e porque voltei a ouvir umas músicas que fizeram parte da minha playlist uns anos atrás.
A série eu já tinha visto uma vez, mas vi novamente para relembrar. Ela conta a história de um rapaz que dá golpe em golpistas, mais ou menos no estilo Robin Hood, e sua principal motivação era vingança contra o golpista que enganou seu pai. Em vários momentos da trama é citado que ele vive preso no passado trágico de sua família.
Mais ou menos ao mesmo tempo, voltei a ouvir a playlist porque me traz boas lembranças.
Só que quando fui parar para contar, já se passaram um 9 anos e na minha cabeça parece que tudo ainda é recente.
Aí surgiu a pergunta, quantas vezes nos comportamos tentando reviver o que já passou?
Percebi que não adianta minha cabeça ficar em 2007 ou em qualquer outra data que já foi. (Claro, sei que para algumas pessoas pode não ser tão simples assim, principalmente quando envolve traumas ou algo do tipo, mas no caso enfoco situações não traumáticas, aquilo que tentamos reviver porque gostamos).
Talvez pareça não ter problema gostar de ficar lembrando e comparando o passado com o agora, porém, corremos o risco de deixar a vida passar. Isso não significa que devo esquecer do passado, muito pelo contrário, hoje sou o que sou por causa daquilo que já vivi. Mas é fundamental saber que já passou e agora há um caminho inédito para ser trilhado.
Afinal, a vida acontece agora.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A experiência de um "mochileiro" de primeira viagem.

Esse será um post um pouco diferente porque não é exatamente um pensamento, mas o compartilhamento de uma experiência que vivi recentemente.

Li há um tempo atrás um post do Buzzfeed falando sobre uma lista de coisas que devemos fazer sozinhos pelo menos uma vez na vida. Uma delas era viajar sozinho.
Quando estava programando minhas férias comecei a cogitar a ideia de fazer isso. Já havia feito viagens internacionais sozinho, mas só o deslocamento, sempre no destino tinha alguém que eu conhecia, por isso resolvi encarar o desafio.

Depois de pesquisar lugares, ver preços e datas fui ver com alguns amigos se eles não gostariam de ir junto. Caso a resposta fosse "não" sem problemas, eu já iria de qualquer forma. Um desses amigos gostou da ideia e umas duas semanas antes confirmou que iria. Ok, fomos acertando o planejamento da viagem. Destino: Porto Alegre.

Eu chegaria sexta e ele sábado, então sexta ficaria por conta. Decidi ficar em um hostel por ser mais barato e ser algo que nunca tinha feito.
Consegui chegar no hostel, deixei as coisas e fui me aventurar. Foi uma experiência nova, o Google Maps foi meu guia.
Por causa da incerteza dos pontos de ônibus e paradas, mais de uma vez caminhei mais do que realmente precisaria, mas isso está incluso no pacote "primeira viagem".
No entardecer voltei para o hostel e só saí para comer algo perto. Os dias no hostel foram um pouco parecidos com os acampamentos que participei, estava no mesmo quarto com um monte de estranhos a mim, mas nos dias seguintes já estava acostumando com eles.
No sábado tive uma grande surpresa. Acordei e vi que tinha mensagens no celular, ligação do meu amigo. O aeroporto de Porto Alegre estava sem condições para pouso e ele decidiu não ir mais.

Resultado: um final de semana sozinho em Porto Alegre.

Precisei ficar por conta e me surpreendi muito com a receptividade das pessoas. Todas foram muito solicitas em ajudar, informar sobre lugares e como chegar (e "de brinde" tinha o sotaque que particularmente gosto).
Vi quão interessante a cidade é no aspecto arquitetônico histórico. Várias construções antigas que no city tour são explicadas sua importância.
Porto Alegre é uma cidade exemplo em conservação e em preservação. São muitas opções de parques arborizados para caminhar, passar a tarde com amigos. Esse tipo de lazer é um ponto forte de lá.

Um dos objetivos quando escolhi Porto Alegre foi para ir um estádio de Copa do Mundo. Apesar de quase desistir no meio do caminho, resolvi comprar o ingresso para ver Internacional e Botafogo. Foi uma experiência bem interessante mesmo sem torcer pra nenhum time que estava jogando. Vi no Brasil um padrão alto de estádio. Não enfrentei filas para entrar, o gramado, a iluminação, o som e o telão estavam muito bons, 2 anos após a Copa.

Resolvi não ficar me sentindo culpado caso não encontrasse um verdadeiro churrasco gaúcho e tomasse um chimarrão. Porque churrasco e chimarrão consigo na minha própria cidade (temos um CTG e estudo com uma gaúcha que de vez em quando leva seu chimarrão pra faculdade). Fiquei é impressionado com a quantidade de restaurantes japonês que vi. Praticamente em todos os lugares que eu fui tinha um.

Por fim, no planejamento achava que 3 dias seriam suficientes para conhecer os pontos legais da cidade, mas não chegaram nem perto (mais uma lição para o pacote "primeira viagem").
Por outro lado, isso que é legal, ficar com a vontade de voltar.
E pode esperar Porto Alegre, eu voltarei.
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Aqui estão algumas fotos que tirei de lá.















quinta-feira, 2 de junho de 2016

Enquanto houver amanhã é preciso ter esperança.

Me peguei reflexivo nesses últimos dias porque vejo que talvez o cenário político recente (principalmente de 2 anos para cá) não traz boas perspectivias e as notícias que ouço não são as melhores. 

"A empresa X fechou, a empresa L mandou várias pessoas embora". Ouvir isso me deixou um pouco apreensivo a respeito do nosso futuro, com o caminho do país daqui para frente. Antes era uma notícia que eu via nos jornais, na internet, agora já são conversas que participo no meu dia-a-dia. Talvez hoje, pelo menos para mim, a crise bate a porta. 

Como disse, ficar angustiado foi minha primeira reação, mas após o desespero inicial (Oh! E agora? Quem poderá nos defender?), fui lembrando de algumas coisas. Já ouvi ou li (não lembro exatamente) que as crises têm seu lado positivo. Elas nos fazem sair da comodidade, usar a criatividade e ver além. Por causa das crises buscamos alternativas. 

É claro que passar pelo momento de crise não é fácil, mas enquanto houver amanhã é preciso ter esperança. Parece romântica demais essa frase e talvez até seja. Porém, pense comigo, o mais importante não é estar vivo no dia de amanhã? A vida e a esperança devem caminhar juntas, porque é possível que amanhã (metaforicamente falando) o cenário mude, mesmo que de forma árdua e trabalhosa (o que normalmente é). 

Olhando para a história, a humanidade já passou por outras crises, nosso país já passou por outras crises. Assim como elas foram superadas no passado, temos a inspiração para lutar e buscar superação na atual. Então se o desespero vier, devemos lembrar "enquanto houver amanhã é preciso ter esperança".