sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - The time has come!

Enfim chegou o dia! Um tempo para ficar na memória!

Logo estarei conhecendo outras culturas, outra rotina, outro idioma e é claro que são muitas as expectativas e incertezas: será que vou conseguir me adaptar rápido? E as pessoas como serão? Meu inglês é suficiente? Meu projeto está bom? Estou levando os materiais certos?

Mas agora não tem mais volta, o desafio já foi aceito e está na hora de encará-lo. 

Foto: Eurovoix

O frio na barriga aumenta e sei que a responsabilidade é grande. Quero poder corresponder da melhor forma possível. Não, não é discurso pronto de jogador de futebol, é aquilo que tenho pensado durante esses últimos meses desde que fiquei sabendo que havia sido escolhido.

Levo em minha bagagem a torcida da minha família e amigos e agora é "Daag! Tot ziens, Brazilië!" ("Até logo Brasil!")


sábado, 19 de agosto de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Inspira, expira, inspira, expira.

ESTÁ CHEGANDO! Em Setembro embarcarei para a tão esperada viagem! Particularmente, estava me considerando bem tranquilo até então, mas nesse último mês o mundo está virando de cabeça para baixo e estou tentando, como disse no último post sobre a preparação, contornar a ansiedade.

"Credo Felipe, se eu fosse você estaria só na alegria. O que te deixa tão ansioso?"

A primeira coisa é que é algo novo e de maneira geral, o que é novo assusta um pouco. Existe a questão da língua, ainda que eu esteja estudando inglês, não é minha língua materna e isso traz um pouco de insegurança. E também comecei a estudar um pouco de holandês essa semana e não, eu não deixei para estudar na última hora por vontade própria, o curso que estou fazendo só abriu agora. Claro que uma língua nova não se aprende da noite para o dia e por mais que eu vá usar basicamente o inglês lá, saber um pouco de holandês pode ser uma boa.

A segunda coisa é que parte das minhas responsabilidades no Brasil continuam. Isso quer dizer que tenho corrido com trabalhos, provas, relatórios e principalmente, o TCC. Lá também vou ter afazeres e um deles será falar sobre o meu contexto no Brasil, vou precisar montar uma apresentação. Com isso vem junto a responsabilidade de representar minha faculdade. Fiz uma pequena tabela com as atividades que preciso cumprir, mas ainda fica uma sensação de "será que estou esquecendo algum trabalho?".

Essa sensação de estar esquecendo alguma coisa é horrível. Para de fato não esquecer nada, fiz um check list do que preciso levar/fazer antes de ir. Isso inclui exames médicos, comprar remédios básicos, renovação da carteira de motorista e levar um dinheiro de reserva. A maioria dessas coisas já consegui fazer, graças a Deus.

Por isso, se eu estiver meio estranho (mais do que o normal) peço a sua compreensão. Muitas coisas passam pela minha cabeça ao mesmo tempo, mas prometo que é temporário.
Apesar de tudo, sinto como diz a sessão do blog como se estivesse sonhando acordado e escolhi esse título porque me identifico um pouco com essa música:


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Estamos perdendo a noção?

Alguns pensamentos ficaram borbulhando na minha cabeça e quis escrevê-los aqui. Por isso vai um post curto e sem muitas pretenções além de perguntar. 

Hoje tivemos a confirmação da ida de Neymar para o Paris Saint Germain pelo valor de 820 milhões de reais ou 222 milhões de euros e isso fez dele o jogador com a transferência mais cara da história do futebol. Essa mudança desde algumas semanas atrás têm dado o que falar. Primeiro era, "Neymar deve ir? Deve ficar?" e agora é "Será que Neymar vai dar certo no PSG?". Expeculações e mais expeculações.
Mas o que me chamou a atenção foi o valor pago por um jogador de futebol e há algum tempo tenho começado a questionar se nós estamos perdendo a noção da realidade. R$ 820 milhões! É muita coisa!

Você pode até falar "o dinheiro é do clube, deixa eles gastarem da forma que eles quiserem!". Ok, só que você já percebeu que temos outras coisas que parecem estar passando dos limites? Não?

Vá em algum restaurante que abriu entre 2016 e 2017, provavelmente vai ter algum prato "gourmetizado". Hamburguer, pastel, comida japonesa, açaí e parece que a última moda é churros. Não vou ser hipócrita, assumo, eu como essas coisas também e são boas. Mas onde vamos parar?
Comecei a pensar, quando foi que começamos a perder a noção das coisas? O que consegui lembrar que para mim foi absurdo foi do Big Brother Brasil. Trancamos pessoas em uma casa e ficamos assistindo elas... viverem.

Além disso, vamos olhar para a situação do nosso país. Estamos vivendo dias que os políticos fazem o que querem e a gente só assiste. É quase um Big Brother da Câmara e nesse a gente nem vota para eliminar, pelo contrário, votamos para continuarem ali, deixando eles fazerem o que querem. Isso me entristece profundamente...

Por que fazemos isso? Por que somos assim? Por que não temos limites?
E pior, aonde vamos parar? Se é que um dia vamos... 


terça-feira, 11 de julho de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Preparação.

Quando falo que irei para Amsterdam fazer intercâmbio várias pessoas me perguntam sobre como está a minha preparação. No fundo é um pouco difícil saber exatamente como se preparar quando se é a primeira vez. Aí ao mesmo tempo bate uma mistura de insegurança com otimismo. Insegurança porque parece que não é o suficiente e otimismo porque acredito que não vou morrer de fome ou sede e vai ser uma experiência muito boa lá.
Uma boa vantagem que existe hoje em comparação com algumas décadas atrás são os recursos tecnológicos: vídeos no Youtube, Google Maps, aplicativos de lugares para ir, site da universidade, dicionários no celular, etc. Isso de certa forma traz um pouco mais de segurança, ainda que na vida real as coisas sejam meio diferentes. 
Mas, vou ser um pouco mais específico e contar como está sendo minha preparação. Estou tentando me preparar da forma mais ampla que consigo.

Como já sei o local em que ficarei hospedado, procurei vídeos, entrei no Google Maps para ver onde fica mais ou menos, se fica longe da universidade, o que tem na região (mercado, farmácia, estação de metrô). E também peguei algumas dicas com meu professor Jonathan Menezes que já foi para lá pelo mesmo projeto.

Já com a parte do idioma, tenho estudado inglês de várias formas, assistindo vídeos/filmes, lendo artigos e recentemente me matriculei em um curso online para especificar a leitura e escrita do inglês acadêmico. E para não chegar lá sem saber nada do holandês, no meio do mês que vem começarei um curso de holandês básico online, pela mesma plataforma que estou estudando o inglês. Aliás, se você tiver interesse, é a Future Learn.

Também estou tentando aprender um pouco sobre a cultura holandesa, li o livro da Anne Frank e agora estou lendo o livro "O Refúgio Secreto", de Corrie ten Boon, que escondeu judeus em sua casa na época da II Guerra. Assisti alguns vídeos e documentários sobre Amsterdam, ainda que sejam com mais foco turístico, é interessante saber.

E por último e não menos importante, semana passada fui adicionado em um grupo no Facebook dos intercambistas que estudarão comigo. Fiquei surpreso em ver que estudarei com pessoas de vários países do mundo. Aqui está o mapa com todos os países que terão representantes. Vai ser uma experiência cultural muito legal!



Basicamente essa está sendo minha preparação. Agora é contornar a ansiedade e continuar estudando!

Obs: Achei um site que fala sobre várias bolsas de estudo disponíveis na Holanda. Para esse ano as inscrições já fecharam, mas se você tem o interesse de estudar fora, vale a pena dar uma olhada porque tem MUITA bolsa. Aí você já pode ir se preparando para ano que vem. O link é esse: https://www.nesobrazil.org/bolsas-de-estudo

domingo, 2 de julho de 2017

Sobre a depressão :(

ATENÇÃO: Essa postagem não tem a intenção de exercer juízo sobre a situação, mas refletir sobre.

De uns anos para cá, se tornou mais comum conversar com pessoas que estão com indícios de depressão ou que passaram por depressão. Dizem que o estresse e a depressão são os principais males do século XXI e isso parece, pelo menos para mim, fazer cada vez mais sentido.

No começo do ano passei por uma situação que cheguei a pensar que estava começando a entrar em depressão. Na época, estava me sentindo bastante sobrecarregado no trabalho e em um determinado dia perdi a vontade de trabalhar, me sentia totalmente desmotivado, algo que nunca tinha passado antes, meu único desejo era sair daquele lugar, voltar para casa e me fechar em meu quarto.
Pode parecer preguiça, pode parecer corpo mole e sei que infelizmente é o que falam para quem passa por depressão, mas, só quem passa sabe o que é. Para concluir o que aconteceu comigo, quando eu percebia que estava chegando perto de dar alguma crise, eu parava tudo o que estava fazendo e ficava alguns momentos parado, respirando fundo e as coisas foram melhorando depois.

Depressão não é corpo mole, nem preguiça. Não ficamos deprimidos porque queremos.

Mas por que então as pessoas entram em depressão?

Eu não sou nenhum especialista, mas conversando com pessoas que já passaram por essa situação e observando casos vemos que não há apenas uma causa para a depressão, depende muito do contexto que a pessoa está inserida, da ocasião que ela se sente mais incomodada. Porém, ouvindo em palestras/aulas e em conversas, uma das principais causas da depressão é a ansiedade.

Aí entra outra pergunta, por que ficamos ansiosos?

Assim como a depressão, a ansiedade não tem só uma causa. Percebe a complexidade do problema? A ansiedade pode ser sinal de insegurança, pode acontecer por causa de uma personalidade controladora, pode ser causada por pressão interna ou externa. Essas são as causas que sei por ouvir falar ou por passar, ainda podem existir outras mais. Mas vamos a essas que citei.

Quando temos insegurança, começamos a pensar se seremos aceitos, como seremos vistos, o que será se fizermos isso ou aquilo, o que acontecerá se escolher A ou B, etc. Assim, ficamos hipotetizando cada alternativa, o que gera ansiedade.
De forma semelhante é quando se tem uma personalidade controladora. Queremos prever tudo o que vai acontecer para saber como reagir e como se comportar.
Já no caso das pressões, existem pessoas que se cobram de forma excessiva, falei um pouco sobre isso no post sobre como é ser um descendente de japonês. Ainda a pressão pode ter uma origem externa, pode vir dos pais, amigos, professores, etc. Em ambos os casos, a pressão excessiva pode ser muito prejudicial.

O que fazer para não ter depressão?

Não acredito que existe uma fórmula mágica, a vida é mais complexa do que isso. Mas acredito que há algumas sugestões que podem ajudar.

Conheça a você mesmo e tenha orgulho de ser quem é.
Ficamos inseguros quando não temos bem definido quem somos. Por isso, procure se conhecer, saber quais são suas características, suas virtudes, suas limitações, aceite-se da forma que você é. Não fique se comparando querendo ser igual ao outro. Você é uma pessoa única e você faz diferença no mundo por ser único.


Aceite que a vida não pode ser 100% controlada.
Jamais conseguiremos controlar 100% nossa vida, outras pessoas estão envolvidas, situações que não sabemos como o outro vai reagir. Quando aceitamos que não controlamos totalmente nossa vida, deixamos ela fluir mais naturalmente e não ficamos tão obstinados em saber como será, o que acontecerá. Acredite, isso te ajudará a dormir melhor. Experiência própria.

Seja mais tolerante consigo mesmo.
Isso tem a ver com conhecer a si mesmo. Quando nos conhecemos, sabemos nossos limites e assim não ficamos nos cobrando além da conta. Assim também, não deixaremos com que as pressões externas nos tirem do sério. Outra coisa que vale a pena pensar sobre a tolerância é de que talvez por causa da velocidade da tecnologia que temos hoje, ficamos impaciente com a vida e queremos construir nossa vida de uma vez, ser extremamente bem sucedido antes dos 30 anos. A geração atual não é igual a geração anterior! Os tempos mudaram, não perca tempo se comparando com seus pais, seus avós. Como está no item anterior, não conseguimos controlar toda a vida, tenha paciência e construa a sua etapa por etapa.

Faça terapia.
A terapia ainda é estigmatizada como algo para loucos, para com pessoas com problemas psicológicos. Mas a terapia é muito útil para tratamento contra a ansiedade e depressão, porque ela trabalha esses aspectos que disse acima. Pelo menos, essa é a minha experiência com dois anos de terapia.

Tenha fé.
De maneira geral, aparentemente quem tem fé tem mais esperança e sentido de vida, existe algo para se apegar e ter forças em momentos de dificuldade. Apenas para citar, minha experiência como cristão, a fé em Jesus é um diferencial para minha vida. É um combustível para viver a vida com um sentido e em Jesus está a minha esperança. A fé trouxe uma resignificação para meu modo de viver.

Apenas reforçando, tudo o que escrevi acima é uma visão de alguém leigo no assunto, posso ter alguma experiência de vivência, mas somente um profissional da área pode ajudar de forma efetiva. Como disse no começo, minha intenção é apenas refletir sobre a depressão. Se a situação estiver agravada, não tenha vergonha, procure ajuda, a depressão é algo muito sério e precisamos tomar cuidado. 
Se você conhece alguém com depressão, respeite, ame, esteja ao lado da pessoa, não force ela a sair se ela não quiser, tenha certeza que é muito mais complicado do que parece ser. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Saudade...

Saudade...

A máxima dos brasileiros sobre a palavra saudade é que ela não existe em outros idiomas no mundo. Só para exemplificar, em inglês é traduzido como "I miss" que seria algo como sentir falta ou em japonês "natsukashii", que traz um sentimento de nostalgia. Não conseguem retratar completamente o que é saudade.

Estava pensando sobre esse sentimento que é a saudade e como ela pode ser bastante diferente de pessoa para pessoa, de situação para situação. Às vezes sentimos uma saudade "boa", como por exemplo, sinto saudades da época que eu era pequeno e jogava bola na casa de um amigo meu, era um futebol misturado com brincadeira, a gente se imaginava como personagens de um desenho chamado Super Campeões que passava na Manchete.
Mas nem sempre esse é o tipo de saudade que sentimos. Também tem a saudade que nos traz uma certa dor, principalmente dor da perda. Sentimos falta de alguém querido que já não faz mais parte da nossa vida, na maiorida das vezes por ter falecido ou também ter viajado para um lugar longe. Ou ainda pode ser aquela dor de estar longe da pessoa que se ama, que provoca suspiros e olhares fixos para o nada, a clássica saudade de um casal apaixonado.

Tanto o tipo quanto "bom" quanto o tipo "ruim" se não dosados na medida certa podem ser prejudiciais para nós, porque saudade remete a algo que foi vivido no passado. Quando nós sentimos saudades e ficamos remoendo aquilo, podemos ficar paralizados, viver com o coração no que já passou e deixar o presente ir embora. Consequentemente, é possível sentir saudades do tempo perdido sentindo saudades. Vê?

Lembro-me da época em que voltei do Japão, ficava assistindo programas japoneses, vendo fotos, vídeos e era uma mistura de saudade boa com a ruim. Boa, me lembrava dos momentos legais que havia vivido lá, das pessoas que conheci, dos lugares que fui, das coisas que fiz e ruim, estava longe e não podia voltar no momento, a realidade no Brasil era muito diferente. Passei muitas horas sentindo saudade.

Sentir saudades é tão complexo que na verdade nem no próprio português nós conseguimos definir, mas nem sempre as palavras conseguem dar explicação ao sentimento não é?! 

Em resumo, o sentimento de saudade é complexo e sentir saudade faz parte da vida, mas que isso não nos impeça de continuar prosseguindo no presente.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Propriedades digitais.

Hoje de manhã vi uma notícia de que a Apple está vendendo 2tb de espaço no iCloud por cerca de U$9,99. Então comecei a pensar em todas as coisas que hoje pagamos mas que estão no universo virtual, por exemplo Netflix, Office, aplicativos Pro/Premium. É muito diferente de 20 anos atrás que nós pagávamos para ter uma fita de vídeo em mãos ou um CD.

O que mais me espanta é como as pessoas conseguem ganhar dinheiro em cima de "nada", porque os aplicativos e o espaço são todos virtuais, nada é palpável. Claro, sei que o ser humano tem essa capacidade de reinventar o modo de conseguir arrecadar, mas só agora parei para prestar atenção que eu pago por coisas que não existem no mundo real! Ao mesmo tempo que a gente pode pensar "ah, a pessoa investiu tempo para desenvolver esse aplicativo etc", é algo que a gente não vê fisicamente e não consegue tocar! (Será que era isso que os vendedores de lâmparinas pensaram quando inventaram a luz elétrica?)

Daqui a pouco estaremos vendendo vento estocado!

Ok, sei que parece um pouco exagerado, tanto porque esse blog não vai mudar a realidade e as pessoas não vão deixar de pagar a Netflix (eu também vou continuar pagando). Mas me assusta o ponto que chegamos! E talvez mais ainda em pensar que o ser humano não tem barreiras para sua ganância e obstinação de sempre querer mais, de querer ir além.
É uma questão para refletir...