terça-feira, 27 de junho de 2017

Saudade...

Saudade...

A máxima dos brasileiros sobre a palavra saudade é que ela não existe em outros idiomas no mundo. Só para exemplificar, em inglês é traduzido como "I miss" que seria algo como sentir falta ou em japonês "natsukashii", que traz um sentimento de nostalgia. Não conseguem retratar completamente o que é saudade.

Estava pensando sobre esse sentimento que é a saudade e como ela pode ser bastante diferente de pessoa para pessoa, de situação para situação. Às vezes sentimos uma saudade "boa", como por exemplo, sinto saudades da época que eu era pequeno e jogava bola na casa de um amigo meu, era um futebol misturado com brincadeira, a gente se imaginava como personagens de um desenho chamado Super Campeões que passava na Manchete.
Mas nem sempre esse é o tipo de saudade que sentimos. Também tem a saudade que nos traz uma certa dor, principalmente dor da perda. Sentimos falta de alguém querido que já não faz mais parte da nossa vida, na maiorida das vezes por ter falecido ou também ter viajado para um lugar longe. Ou ainda pode ser aquela dor de estar longe da pessoa que se ama, que provoca suspiros e olhares fixos para o nada, a clássica saudade de um casal apaixonado.

Tanto o tipo quanto "bom" quanto o tipo "ruim" se não dosados na medida certa podem ser prejudiciais para nós, porque saudade remete a algo que foi vivido no passado. Quando nós sentimos saudades e ficamos remoendo aquilo, podemos ficar paralizados, viver com o coração no que já passou e deixar o presente ir embora. Consequentemente, é possível sentir saudades do tempo perdido sentindo saudades. Vê?

Lembro-me da época em que voltei do Japão, ficava assistindo programas japoneses, vendo fotos, vídeos e era uma mistura de saudade boa com a ruim. Boa, me lembrava dos momentos legais que havia vivido lá, das pessoas que conheci, dos lugares que fui, das coisas que fiz e ruim, estava longe e não podia voltar no momento, a realidade no Brasil era muito diferente. Passei muitas horas sentindo saudade.

Sentir saudades é tão complexo que na verdade nem no próprio português nós conseguimos definir, mas nem sempre as palavras conseguem dar explicação ao sentimento não é?! 

Em resumo, o sentimento de saudade é complexo e sentir saudade faz parte da vida, mas que isso não nos impeça de continuar prosseguindo no presente.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Propriedades digitais.

Hoje de manhã vi uma notícia de que a Apple está vendendo 2tb de espaço no iCloud por cerca de U$9,99. Então comecei a pensar em todas as coisas que hoje pagamos mas que estão no universo virtual, por exemplo Netflix, Office, aplicativos Pro/Premium. É muito diferente de 20 anos atrás que nós pagávamos para ter uma fita de vídeo em mãos ou um CD.

O que mais me espanta é como as pessoas conseguem ganhar dinheiro em cima de "nada", porque os aplicativos e o espaço são todos virtuais, nada é palpável. Claro, sei que o ser humano tem essa capacidade de reinventar o modo de conseguir arrecadar, mas só agora parei para prestar atenção que eu pago por coisas que não existem no mundo real! Ao mesmo tempo que a gente pode pensar "ah, a pessoa investiu tempo para desenvolver esse aplicativo etc", é algo que a gente não vê fisicamente e não consegue tocar! (Será que era isso que os vendedores de lâmparinas pensaram quando inventaram a luz elétrica?)

Daqui a pouco estaremos vendendo vento estocado!

Ok, sei que parece um pouco exagerado, tanto porque esse blog não vai mudar a realidade e as pessoas não vão deixar de pagar a Netflix (eu também vou continuar pagando). Mas me assusta o ponto que chegamos! E talvez mais ainda em pensar que o ser humano não tem barreiras para sua ganância e obstinação de sempre querer mais, de querer ir além.
É uma questão para refletir...

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sonhando acordado: Amsterdam - Anne Frank.

Desde que fiquei sabendo que iria para a Holanda, comecei a tentar conhecer um pouco sobre lá. Sim, quando falo Amsterdam, a maioria das pessoas logo pensa em maconha legalizada e Distrito da Luz Vermelha, mas tenho visto que lá é muito mais do que isso.

Um assunto que tenho interesse desde minha adolescência é a II Guerra Mundial, talvez influenciado por um amigo chamado Nilton (ele sim era vidrado na II GM). Mas eu assistia filmes, vez ou outra jogava Battlefield 1942 e ainda que seja um tema bastante pesado, principalmente para quem viveu na época, minha curiosidade era de saber o que aconteceu, como aconteceu.
E quando estava pesquisando sobre a Holanda, vi que um dos pontos turísticos mais famosos é o museu de Anne Frank, uma judia que ficou escondida durante a Guerra em um escritório. Nesse tempo de esconderijo, ela escreveu um diário, que se transformou no mundialmente famoso, "O diário de Anne Frank".

Não sei se por não ter prestado muita atenção quando era adolescente (na época não tinha muito interesse por livros) ou por nunca ter ouvido falar mesmo, não tinha conhecimento desse livro. Quando fiquei sabendo, a primeira coisa que pensei foi: "preciso ler! É literatura obrigatória antes de eu ir!". Logo fui procurar para comprar no site Estante Virtual. Quando estava pesquisando, minha irmã disse que tinha esse livro na casa da minha avó e depois de um tempo estava com o livro em mãos.

No começo estava em dúvida se iria gostar do livro, não sabia direito o que esperar de um diário, mesmo que os comentários na parte de trás fossem positivos. Mas quando comecei a ler, fui percebendo que realmente, a menina tinha um certo dom para escrever.
O que foi mais interessante foi conseguir até certo ponto sentir um pouco da tensão e  angústia vividas por quem estava no esconderijo. Algumas vezes percebi que quando tinha terminado a leitura estava tenso, pensando no que poderia acontecer depois daquilo. Não conseguia prever quando aquilo iria terminar e talvez esse também fosse o sentimento de Anne.
Ao mesmo tempo, o diário vai retratando a dificuldade de conviver confinado. Pensei bastante nisso durante a leitura. Como é dificil convivermos em paz!

Consegui terminar de ler hoje pela manhã, triste pelo desfecho da história dos moradores do Anexo Secreto, ao mesmo tempo bastante impressionado com a experiência.
Durante alguns momentos do livro, questionei se uma adolescente de 14 anos conseguiria escrever daquela forma e curioso que sou fui pesquisar. Havia motivos para desconfiança. O estilo de escrever mudava bastante, o tema, a profundidade do assunto. E aí descobri que no pós-guerra também questionaram a autenticidade do livro. Só que compararam a letra de Anne no colégio e a letra do diário e confirmaram que foi ela mesmo quem escreveu.

Acho que ler esse livro contribui para minha preparação. Quando eu visitar o museu, tenho certeza que o impacto será outro. De alguém que sabe o que aconteceu ali e que reconhece o símbolo que a aquele local se tornou na história da II Guerra na Holanda.
Se você gosta do tema II GM, recomendo a leitura do diário de Anne Frank. É um livro impressionante que ajuda a refletir sobre o ambiente de guerra e o clima hostil que a humanidade já passou.

domingo, 14 de maio de 2017

A sensação de voltar.

Acordei cedo, peguei a estrada até chegar a cidade que nasci e cresci.
Quase 200 km percorridos.
Já eram 11 horas, mas resolvi sair, comecei a andar no centro mesmo com o termômetro marcando mais de 30°.
Faziam anos que não passava por ali e minhas lembranças estavam adormecidas.
Logo começaram: "Quantas vezes subi essa rua com meu amigo?!".
"Ah, eu sempre parava aqui para tomar suco de morango com leite e comer um salgado!".
E ao mesmo tempo, muita coisa estava diferente: "Nossa, agora tem uma farmácia onde era o banco!".
"Onde era aquela loja de roupas? Fechou?".
Em minha cabeça a imagem estava construída e continuaria assim até eu voltar.
Me senti parado no tempo e enquanto andava o passado e o presente se chocavam até formar uma nova imagem.
Essa foi a sensação de voltar!
Uma mistura de lembranças e sentimentos, nostalgia e surpresa.
O mais engraçado é que em todos esses anos apenas um coisa não mudou: o calor daquela cidade.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Sessão nova no blog - Sonhando acordado: Amsterdam.

(Aviso: Só irei no segundo semestre).

Tenho pensado esses dias sobre o planejamento da minha viagem e uma das dúvidas foi: "Será que faço vídeos e posto no Youtube? Ou será que vou escrevendo no blog sobre minha experiência na Holanda?"
Na verdade a questão é: hoje em dia acho que poucas pessoas tem paciência para ficar lendo postagens em blog e o vídeo nesse sentido poderia ser bem mais atrativo. Só que sei que quando queremos algo de verdade nós corremos atrás, então acredito que quem realmente quiser saber sobre a experiência vai ler o blog.
Claro que não vou postar um texto kilométrico, nem é minha característica.

Por que não vou fazer vídeos?
Editar um vídeo requer tempo e não sei como será meu cronograma, uma postagem no blog será mais rápida; acho que para um vídeo ficar legal, a pessoa precisa de algumas características (ex: sacadas boas, ser divertida naturalmente, ser extrovertido, etc) que acho que não tenho; o tempo de intercâmbio vai ser curto para fazer um tipo de vlog, se eu fosse ficar 1 ano eu pensaria, mas 3 meses acho que não vale a pena.

Então, hoje começo essa nova sessão no blog! 



Começarei contando como foi que fui selecionado para o intercâmbio.

Acho que nesses quase dois anos de blog (dia 20/05 completo 2 anos) não falei muito sobre mim, tanto porque nem é o foco, gosto apenas de compartilhar pensamentos. Mas, sou estudante de Teologia e estou no último ano. No final do ano passado fui informado pela diretoria da faculdade que existia um convênio com uma faculdade na Holanda e que eles estavam pensando em me indicar para tentar o intercâmbio. Na hora eu nem precisei pensar duas vezes para aceitar, estudar fora já é um sonho faz um tempo.
Alguns dias depois me informaram sobre como seria o procedimento, eu precisaria mandar um projeto de pesquisa e nas diretrizes gerais estava escrito que o programa tinha convênio com faculdades da Ásia, África e América Latina, isso me deixou um pouco inseguro, porque eu não fazia ideia de quantas pessoas poderiam se inscrever.
Tive um pouco mais de um mês para fazer o projeto, pedi ajuda de professores, principalmente com o inglês que como vocês podem ver nesse post não é o melhor inglês do mundo e enviei. Não tinha nada a perder não é?!

No final de Fevereiro fiquei sabendo que eu tinha sido aprovado, eram 15 bolsas para um pouco mais de 30 projetos. Foi uma sensação única!
Eles pediram a confirmação de alguns dados para providenciar as passagens e para ir atrás do visto, que não precisei tirar porque os brasileiros podem ficar até 90 dias na Holanda sem visto.

Basicamente foi assim, eu não estava procurando, nem sabia da existência dessa parceria, então só posso agradecer a Deus e as pessoas da faculdade que me indicaram.
Ainda não tenho muitos detalhes sobre a ida, a volta, onde vou morar, etc, eles ficaram me mandar as informações um tempo antes da viagem. Viajarei no segundo semestre e agora estou concentrando meus estudos no TCC (que faz parte do projeto do intercâmbio) e inglês (claro).

É isso, continuarei postagens "comuns", mas a partir de hoje terei essa nova sessão aqui!
Obrigado por ler até o fim!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O dia que (quase) deu tudo errado.

*Resolvi fazer um post em um estilo diferente hoje, inspirado em fatos (quase) reais.

Acordei e estava nublado, talvez fosse uma previsão de que aquele não seria um bom dia, mesmo assim insisti, levantei, tomei café, me arrumei e saí para o trabalho. Trânsito complicado, a chuva começou e todo mundo resolveu sair de carro.
- Pelo amor de Deus, parem com as buzinas! Não adianta, estamos todos atrasados, eu sei!

Chegando na empresa, o sistema estava fora do ar e a demanda começou a aumentar, o pequeno alívio estava no café da dona Jacira. Ninguém faz um café igual a ela, nem mesmo minha avó! E olha que avó é avó né?! A experiência de anos de cozinha!
Vamos voltar ao trabalho! Não acredito! Agora foi a impressora deu pau! Era só o que me faltava! O chefe pediu um monte de documentos impressos. Porcaria! Vou ter que ir no TI pedir ajuda.
Ainda bem que o Marcos estava lá. Ele é meio mala, mas é muito inteligente e resolveu o problema em 5 minutos. Me senti um analfabeto digital, mas ok.

O sinal tocou e o almoço estava bom como de costume, era o mínimo depois dessa manhã turbulenta.
Arroz e feijão bem temperados, um frango grelhado, creme de milho e salada. Tem como reclamar?

A tarde as coisas se acalmaram, acho que o almoço foi o divisor das águas, a irritação com as tecnologias foi embora com a fome. Só o Antônio que não parava de me apressar para entregar os relatórios, mas tudo bem, tudo entregue e fim de papo!

A chuva caía no fim da tarde, fina e constante. Acho que na chuva as pessoas desaprendem a dirigir. Já dizia meu instrutor da auto-escola: "dirigir para você é facil, difícil é dirigir para os outros". Direção defensiva, direção defensiva, calma que logo chega, pensei.

Nada como chegar em casa! Um banho morno para relaxar.
Liguei para pedir um lanche por causa da preguiça de cozinhar, enquanto isso fiquei vendo TV. Demorou mais de uma hora e chegou menos morno que meu banho. Paciência, dia de chuva é assim mesmo. Talvez fosse melhor ter ficado o dia inteiro na cama...

Mas espera, chegou uma mensagem no celular!

Era ela!

O dia não poderia ter dado tão certo!

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"Você me ligou naquela tarde vazia, que me valeu o dia!" - Tarde vazia - IRA!




domingo, 2 de abril de 2017

Indecisão...

Você já viu ou conhece alguém muito indeciso quando precisa fazer alguma escolha? Não parece que ela/ela pensa em todas as possibilidades? E isso chega até a incomodar não é mesmo?

Pois é... Eu sou essa pessoa indecisa e não sei se é tão simples quanto parece ser.



Acho que ninguém é indeciso porque gosta de ser e talvez seja justamente o contrário, quem é não gostaria de ser. Há quem pense ser frescura, há quem ache que é "charme". Mas saiba, para quem é indeciso, conseguir escolher é extremamente aliviador e às vezes é como retirar um grande peso das costas. Ainda mais quando vê que fez uma ótima escolha mesmo com a demora.

Claro que a indecisão não é para tudo! Ou pelo menos não deveria ser (se esse for o caso, é melhor procurar a ajuda de algum terapeuta). Mas as decisões que possuem uma responsabilidade maior, essas sim são difíceis.
E às vezes pior que ter que escolher é ter que escolher sob pressão. Sim, sei que temos prazos, temos compromissos, mas acho que com o tempo e com as falhas os indecisos sabem que precisarão escolher algo, o único porém é que isso pode acontecer somente nos últimos minutos. O importante é que a escolha acontece.

Por que as pessoas são indecisas? 
Acredito que os motivos são os mais variados. Pode ser falta de confiança, pode ser preocupação em fazer a melhor escolha, pode ser algum trauma de ter escolhido depressa demais, pode ser simplesmente o ritmo da pessoa em demorar para escolher porque precisa analisar com calma as informações, pode ser orgulho de não querer errar, pode ser outro motivo que não faço a mínima ideia.

O que fazer com essas pessoas? 
Talvez o mais importante é não pressionar a pessoa indecisa, mas deixar claro que existe um prazo e aí ele/ela se resolve com sua indecisão. Nem sempre terão sucesso e poderão perder prazos, fazer escolhas que se arrependam, mas isso faz parte da vida.

E para quem é indeciso?
O que pelo menos eu tenho tentado fazer é colocar as opções na mesa e avaliar de acordo com o objetivo. Decidido e assumido o compromisso, não fique alimentando o "e se eu tivesse escolhido diferente?". Escolheu, escolheu! Assim é a vida! Sim, existem escolhas que podemos voltar atrás, mas nem sempre isso é possível e para essas o que resta é levantar a cabeça e seguir em frente.
Não deixe a indecisão te consumir e nem te paralisar!
 
Cada tipo de pessoa sabendo o outro lado facilita nossa convivência. Haverá momentos de stress dos dois lados? Com certeza! Isso também faz parte da vida! Lidamos com pessoas imperfeitas e assim será. Só que aí todos precisamos escolher, nos isolaremos ou tentaremos conviver?