AVISO: Esse post será um pouco mais longo que de costume. Mas tenha paciência, espero que seja interessante.
Há alguns meses atrás li o Diário de Anne Frank e comentei um pouco sobre o que achei. Semana passada tive a oportunidade de visitar o escritório na qual ela e seus familiares ficaram refugiados durante 2 anos. Lugar que hoje é o museu Anne Frank.
Infelizmente não é possível tirar fotos lá de dentro, mas parece que o museu foi feito de maneira bastante cuidadosa para ir gradativamente revelando a tensão vivida pelos judeus. Inicialmente conta um pouco sobre a família de Anne, alguns retratos e depois começa falando sobre a invasão nazista, a discriminação sofrida até que em um determinado momento, Margot, a irmã de Anne Frank recebe uma convocação. Ali começava o terror.
A medida que vamos subindo os andares e descobrindo o esconderijo, vemos nas paredes frases de Anne, ilustrações de como eram os cômodos, notícias dos jornais, alguns objetos que eles tinham, o que literalmente materializa o que lemos no livro. A sensação é extremamente estranha. Os cômodos vão diminuindo, assim como o tempo dos habitantes do Anexo Secreto. Um dos últimos lugares visitados no esconderijo é o quarto de Peter, aquele que Anne se aproximou mais nos últimos meses antes de serem descobertos, um lugar muito pequeno, quase no ático. Por fim, andamos para outro espaço, que fala sobre o destino de cada um dos refugiados. Ali, alternamos momentos de tristeza e pesar por quem faleceu rapidamente em um campo de concentração, com admiração por quem sobreviveu e lutou para que o Diário fosse publicado. Antes da saída, vários depoimentos de pessoas que leram o Diário e foram inspirados por Anne, impossível não se emocionar e refletir sobre a violência que somos capazes.
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| Quarto de Anne no Anexo Secreto. Fonte: cademinhamala.com |
Além de visitar um lugar icônico na II Guerra Mundial, passei por outros dois lugares que vivenciaram de perto terror e tristeza e que hoje guardam memórias. Um pequeno vilarejo ao leste da Holanda chamado Elst e uma cidade ao sul, Rotterdam.
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| Igreja de Elst atualmente. |
Em Elst existe uma bela Igreja que desde o século I é um lugar sagrado. No ano 50 dC os romanos construíram um templo, que por causa de uma rebelião os batavos (moradores da região) foi destruído. Por volta do ano 100 dC reconstruíram um templo maior que durou até o século III. No século VIII o lugar foi novamente importante, dando lugar a uma Igreja cristã. Com o passar do tempo ela foi sendo ampliada até que no século XV, foi reconstruída com uma característica gótica.
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| Igreja bombardeada em Elst. Fonte: romeinselimes.nl |
Na II Guerra, como a região de Elst faz fronteira com a Alemanha, foi um lugar de resistência contra os nazistas, consequentemente, o vilarejo foi castigado com bombardeios. A Igreja foi bombardeada em 1944. Somente em 1953 ela foi reconstruída e nesse período de reconstrução que foram descobertos os vestígios das construções anteriores. Hoje existe um museu na Igreja que mostra a história daquele espaço.
Rotterdam também é outra cidade que viveu de forma significativa os prejuízos da Guerra. Ela foi bombardeada em 1940 e uma escultura expressa o sentimento das pessoas. O artista que fez a escultura se baseou em sua chegada a cidade destruída em 1946.
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| Estátua "A cidade destruída" de Ossip Zadkine. |
Hoje Rotterdam é uma das cidades mais bonitas da Holanda, contando com um design bastante moderno. Quem vê a cidade hoje, sem saber de seu passado, pode não imaginar que este mesmo lugar tão belo já sofreu uma grande devastação.
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| Ponte Erasmus em Rotterdam. |
Por não ter vivenciado a Guerra, ter passado por esses lugares foi bastante impactante. Ao mesmo tempo que dói ver vestígios da história, da crueldade das pessoas, me faz refletir sobre a importância do respeito, do diálogo e da tolerância. Talvez esse seja um dos motivos que faz a Holanda ser bastante receptiva com estrangeiros, as memórias de um país que sofreu na II Guerra.






